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Archive for julho \31\UTC 2011

Bom, este é um filme que se passa pelo ponto de vista de um personagem obcedado em se vingar da morte da esposa e ainda por cima com amnésia, de maneira que ele não consegue formar memórias novas. Estranho né? Pois se prepare, este filme ainda vai impressiona-lo muito.

Este é “Memento”, filme escrito e dirigido por Christopher Nolan, baseado no livro “Memento Mori” de seu irmão Jonathan Nolan. Este é o mesmo diretor de “Batman Dark Knight”, “Batman Begins”, “The Prestige”, “Inception”, entre outros. Alias, lembra do Inception (A origem)? filminho complicado né? Pois é, Memento tem esse estilo também. Não se trata de um filme difícil de entender, na verdade tudo é explicado no final sem muitas complicações, mas é um filme que exigi uma atenção maior quando comparado com outros, da mesma maneira que Inception.

Leonard Shelby (Guy Pierce, de “O Conde de Monte Cristo”) procura vingança do homem responsável por matar sua esposa de maneira brutal, e deixa-lo com uma deficiência de memória que o impede de formar memórias novas. Lembra do filme de sessão da tarde (muito bom, diga-se de passagem) “Como Se Fosse A Primeira Vez” ? Nesse filme, Drew Barrymore vive Lucy, uma mulher que, após um acidente de carro, perde a capacidade de formar memórias novas, e esquece do que viveu durante o dia no sono da noite. Leonard tem o mesmo problema, exceto pelo fato de que ele não perde necessariamente a memória durante o sono, e sim em momento aleatórios no dia. Pode ser, durante uma conversa, uma caminhada, ou dirigindo o carro. Ele monta um esquema para conseguir lembrar das coisas, e perseguir o assassino. Ele escreve notas para lembrar mais tarde, além de algumas tatuagens que tem a mesma função. Outra tática usada por Leonard para avançar nas investigações é contar aos outros sobre sua “condição”, e sobre sua vida pessoal, esperando que algumas pessoas o ajudem. Natalie (Carrie-Anne Moss, Matrix) e Teddy (Joe Pantoliano, Bad Boys II) são exemplos dessas pessoas.

O filme segue uma história não-linear. Ele começa no fim, mas não se dirige exatamente para o começo. Na verdade, algumas cenas acontecem no passado e outras no futuro, e elas se cruzam no filme. Algumas cenas são até em preto e branco, para deixar mais claro essas mudanças no tempo. Mas esta construção não estraga o filme. Muito pelo contrário, deixa-o muito interessante e principalmente empolgante, e essa empolgação vai aumentando até o final espetacular do filme, onde tudo é explicado.

Pode-se perceber uma semelhança entre Memento e outros filmes de Christopher Nolan. Ele próprio diz que “Memento” foi um dos filmes que ele se inspirou para escrever e produzir Inception. Além disso, “Inception” também tem uma estrutura “um pouco” não-linear. Digo “um pouco”, pois o filme apesar de começar no fim, não tem tantas voltas como Memento, no entanto, tem uma noção de profundidade muito interessante, além de explorar bem a mente humana através dos sonhos. “The prestige” também pode ser comparado a estes dois filmes tanto em genialidade quanto estrutura. Christopher Priest, autor do livro “The Prestige” que inspirou o filme, procurou Nolan, após se impressionar com o filme Memento, para adaptar sua obra para os cinemas. “The Prestige” também segue uma estrutura não-linear, que varia de acordo com os pontos de vistas dos dois personagens principais.

Recomendo muito que assistam este filme, e outros filmes de Christopher Nolan, que acabou se tornando para mim um dos melhores diretores da história.

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A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser é um livro do tcheco Milan Kundera, escrito em 1984. Colocando em poucas palavras, é uma história de amor e sexo, mas não se reduz a isso. Os personagens centrais do romance são dois homens e duas mulheres: Tomas, um médico influente que aprecia ter muitas amantes; Tereza, fotojornalista e mulher de Tomas; Sabina, pintora e amiga íntima de Tomas, se considera vivendo fora da sociedade e em constante fuga; e por último, Franz, professor universitário e amante de Sabina.

O romance inicia com a Primavera de Praga, quando o político reformista Alexander Dubcek foi derrubado do poder pela União Soviética. A partir de então, os personagens conviverão com as consequências da invasão russa e do terrorismo de estado. Apesar de não explicar o que ocorreu na Primavera de Praga, tudo o que influencia diretamente os personagens está claro no livro. O romance desenvolve-se mudando o foco de personagem a personagem, construindo assim uma narrativa não linear e dinâmica. Os capítulos contém reflexões sobre o cotidiano, os sentimentos e pensamentos de cada um, e principalmente, qual o papel do amor e do sexo na vida deles.

Os dois capítulos do pequeno léxico de palavras incompreendidas é um exemplo dessa flexibilidade narrativa e criatividade. Nessa pequena parte do livro, expressões como “mulher”, “o cemitério”, “força” e “a música” são utilizadas como ponto de partida para contar como algum dos personagens se relacionam com tal assunto. Por exemplo, em “Mulher”, ficamos sabendo como Sabina entende as mulheres e si mesma.

O autor é capaz de relacionar acontecimentos mínimos com assuntos filosóficos e psicológicos, dando profundidade a historia e aos personagens. Kundera faz uma grande incursão na vida íntima, brincando com símbolos e camadas. Gostei pra caramba.

Faz um tempo que queria ter lido esse livro, é um daqueles citados por gente esperta e que você imagina que será uma leitura árdua do cão, e por isso tem medo de ler. Mas não é árduo! Aos interessados, também tem o filme americano de 1988, dirigido por Philip Kaufman, mas fiquem sabendo que Kundera achou o filme ruim e distante de seu romance.

Esse post não é exatamente uma resenha por que não quis estragar a história analisando muito ou contando algum capítulo. Porém, essas são citações interessantes que achei valer a pena compartilhar, tanto pelo conteúdo e por exemplificar o estilo narrativo e filosófico do romance.

Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).

Momentos de indecisão:

Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo ‘esboço’ não é a palavra certa porque um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.

E sobre o título do livro:

O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso docorpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.

* * * * *

O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixa-lo. Ele a perseguiria depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.

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Só depois que saí do cinema me dei conta: “Cacete, vi um filme do Woody Allen no cinema. E que filme bom!”

Descobri Allen assistindo Annie Hall (1977, traduzido sem sentido como Noivo neurótico, noiva nervosa), Manhattan (1979) e A última noite de Boris Grushenko (1975). Depois desses, assisti Dirigindo no escuro (2002), Zelig (1983) e Melinda e Melinda (2004). Apesar de ter gostado de Dirigindo no escuro, esses filmes mais recentes  não se mostraram bons como o Woody Allen dos anos 70. Por isso, quando soube de Meia noite em Paris (2011), apesar da sinopse interessante, já o incluí no “filmes não tão bons do Woody Allen”.

Eu estava muito errado.

Meia noite em Paris conta a história de Gil Pender (Owen Wilson) e sua noiva chata Inez (Rachel McAdams) passando um tempo em Paris junto com os pais dela. Gil está frustrado com sua carreira de roteirista hollywoodiano e quer se tornar um romancista como seus ídolos. Durante o dia, Gil passa seu tempo com a esposa visitando lugares, indo a exposições de arte e ficando com o sogro e a sogra. Depois de uma degustação de vinho, Gil não quer ir dançar com a noiva e o colega pedante, então resolve voltar ao hotel à pé. Meio bêbado, não encontra o hotel e fica sentado na escada de uma igrejinha. O sino marcando meia noite toca e um taxi pára na frente de Gil, e o pessoal dentro do táxi chama-o para festejar.

Gil não sabe que esse táxi permite a realização de seu sonho: reviver a Paris de 1920, convivendo com seus ídolos literários e vivendo o que ele considera ser a época de ouro. Depois de algum tempo, Inez começa a achar que Gil está vendo outra pessoa durante as madrugadas.

Durante noites de festas, Gil se encontra com Ernest Hemingway, Gertrud Stein, Scott Fritzgerald, Picasso, Salvador Dalí e outros artistas que passaram os anos 20 em Paris. É preciso uma certa bagagem cultural para entender as piadas e referências feitas durante o filme. Eu perdi várias, não conhecendo alguns pintores mencionados e uma escritora que esqueci o nome agora, mas as partes de Hemingway (valentão caricato e simpático) e dos surrealistas foram de grande entretenimento para mim.

Achei interessante o contraste entre Gil e o pedante chato. Enquanto o pedante contempla a arte, soltando conhecimento com ar de autoridade no assunto, Gil experiencia a arte em primeira mão, conversando e festejando com os autores. É como se a arte fosse muito mais que a masturbação mental dos acadêmicos. Ela precisa ser experienciada.

Owen Wilson surpreende por conseguir atuar tão harmoniosamente e encarnar o alter-ego de Allen, típico personagem também de Annie Hall e Manhattan, simpatizante da esquerda, rabugento, romântico, nostálgico e confuso. A maneira como Owen Wilson fala me fez lembrar muito a atuação de Allen. Consegui ver como se fosse o Woody Allen entediado enquanto o colega pedante do casal expõe seu conhecimento sobre artes, ou quando ele segura e beija a noiva logo depois de acordar.

Meia noite em Paris é um filme bonito, suave e engraçado. Romance sem ser meloso e comédia inteligente na medida certa, mescla o romance dos noivos com os encontros noturnos de Gil. Detalhe para a abertura do filme, onde é mostrada várias cenas de Paris, iniciando o  longa de maneira marcante. O argumento principal do filme é destinado aos nostálgicos, aqueles que sentem saudade de um tempo que não viveram, aqueles que pensam que viver no passado traria mais felicidade. A atmosfera boêmia com seus cigarros e bebidas, dos cafés e de um mundo onde figuras como Hemingway e Picasso ainda caminham sobre a Terra funciona perfeitamente no filme. É por isso que gostei tanto. Um dia dou um jeito, pulo num navio e chego lá ilegalmente. Que seja.

Assista o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=kdgdX2Sra5Y

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Revolver (2005)

De vez em quando nos deparamos com filmes que nos impressionam pela carga emocional passada, outros pelos efeitos do filme, outros pela mensagem, tema discutido, história retratada, atuação, enfim, diversas coisas. Revolver é o filme que eu diria que nos impressiona pela complexidade. Dirigido pelo diretor Guy Ritchie o filme reuni diversas características que o colocam como um dos melhores já feitos, e infelizmente, menos divulgados. Meu primeiro contato com ele foi uma recomendação de uma amiga, primeiramente me interessei pelos atores reunidos, já que um filme com Jasom Statham (Lock, Stock and two smoking barrels), Ray Liotta (Goodfellas), Mark Strong (RocknRolla) e Vincent Pastore (The Sopranos) entre outros, não é um filme que deve ser ignorado. O filme apresenta uma edição muito interessante no mínimo (depende do gosto) com cenas pequenas e desconexas. Em diversos momentos no filme é comum ocorrerem mais de um evento simultaneamente, ou cenas que explicam um evento que já ocorreu. Particularmente eu adorei essa montagem, ja que também deixa o filme mais fiel ao tema. As cenas descontinuas podem ser comparadas com as características do pensamento. A trilha sonora do filme também impressiona, por exemplo na cena em que Macha sofre o atentado no restaurante.

SPOILER

Resumo:Jason Statham é Jake Green geralmente chamado de Sr. Green por Avi e Zach. Ele acaba de sair da cadeia após passar 7 anos na solitária. Lá ele conheceu dois presos que eram seus vizinhos de cela, ele nunca os viu nem falou com eles, mas os conhecia, já que se comunicavam através de páginas de livros escritas. Um deles era mestre do xadrez, e o outro mestre em golpes. Estes dois criaram e ensinaram a Jake o golpe perfeito, este usa esse golpe para juntar muito dinheiro após sair da cadeia e tentar se vingar de Macha que foi o responsável por coloca-lo na cadeia. No entanto, logo após de Macha ficar sabendo da saída de Jake da cadeia ele investe para mata-lo, é ai que entra Avi e Zach, que ajudam Sr. Green a sobreviver de um atentado e prometem proteção a Green caso este desse todo o dinheiro que ele ganhasse para os dois. É nesse momento que a trama começa a ser construída. Avi, Zach e Green começam a aplicar golpes em Macha. Estes golpes, no entanto, envolve não só Macha, mas todos os personagens do filme, que gera uma trama bem complexa e genial em seus mínimos detalhes.

Durante o filme, eu cheguei a pensar várias coisas, menos o certo. Cheguei a achar que Avi e Zach nem existiam, que Jake tinham outras duas personalidades diferentes, enfim muitas coisas. Como eu disse, tive que assisti-lo duas vezes. Vou agora tentar explicar o filme. Jake, durante todo o filme, ouve uma voz que parece ser simplesmente seu pensamento. Essa voz mais tarde é considerada um ego. Eu não sou bom em psicanálise, por isso vou explicar meio que no senso comum. Um outro eu além de Jake falava a ele, essa voz da sinais claros de sua existência como um eu além de Jake. Por exemplo, quando, logo no começo do filme, Jake diz que tem medo de lugares apertados, na verdade é o outro eu de Jake que tem medo e não o próprio Jake. Esse outro eu até tem um nome: Sr. Gold, o fodão que assusta todo mundo no filme, mas que ninguém sabe quem é, pelo menos até o final. Avi e Zach percebem essa característica de Jake e tentam livra-lo deste outro eu, convencendo Jake que ele é Jake e não Gold. Avi e Zach na verdade são os dois vizinhos de cela de Jake (fica até meio evidente sobre quem é quem né). Durante o filme acontece outra coisa, todos aqueles golpes feitos com Macha citados ali em cima, resultou em Macha, o surgimento de um outro eu nele também. No começo do filme Jake fala que Macha preferiria lamber um quintal de merda antes de ficar mal para o público. Quando Macha vê seu nome no jornal como fazendo referência a uma doação feita em nome dele a uma instituição de caridade, mesmo sabendo que não foi ele que tinha feito aquela doação, ele se diz autor dela, somente para ter seu nome em destaque na sociedade. Essa característica na verdade, é de o outro eu de Macha. Essa é uma similariedade com Sr. Gold de Jake.

Em termos comportamentais, e correndo um certo risco, eu diria que acontece em Jake um rearranjo de contingências que dão origem as operantes que podem ser consideradas como fazendo parte da personalidade chamada Sr. Gold. Esse rearranjo se deve tanto a questões ambientais, tais como contingências de punição e isolamento (na cadeia, por exemplo) e, também questões subjetivas, tais como as respostas emocionais a essa punição, ou em outras palavras, a maneira como Jake reage à situação. Todos estes fatores causam uma mudança nos comportamentos de Jake, principalmente no pensamento. Para piorar, entram na vida de Jake os dois vizinhos de cela, que eram seus únicos amigos na cadeia, apesar de ele nunca te-los visto ou conversado com eles. Essa amizade significava muito para Jake, tanto que em um momento ele diz que morreria por qualquer um dos dois. Essa amizade envolve primeiramente, promessas e, posteriormente, traição. Essa traição funciona como um punição que influência na capacidade de Jake confiar nas pessoas. Acontece que Jake, mesmo após sair da cadeia, vive num ambiente de punição constante, todos querem mata-lo ou prejudica-lo de alguma maneira, isso resultou na desconfiança de Jake em todos e principalmente em confiar somente em si mesmo. Isso não seria tão drástico, não fosse Jake um gênio, um ótimo jogador e manipulador das pessoas a sua volta. Surge ai o Sr. Gold, um eu formado por operantes de punição, que não confia em ninguém, que derrota todos nos jogos e que manipula e é temido por todos (mesmo sem ninguém saber exatamente quem ele é). Esse Sr. Gold na verdade é um Jake diferente, e não um ser a parte de Jake, em outras palavras, Jake continua sendo Jake, mas seus comportamentos mudaram tanto que é fácil imaginar que na verdade seria um outro eu vivendo dentro de Jake. Estas contingências são cada vez mais reforçadas nos filme enquanto Jake é roubado por Avi e Zach, é sobre isso que Avi se refere quando diz que quanto maior a dor, maior será a probabilidade de aparecimento do Gold. Na verdade, quanto maior o sofrimento de Jake, maior a probabilidade da emissão dos novos comportamentos, ja que esse foi o contexto por onde esses comportamentos foram selecionados. Dessa maneira, quanto maior a quantidade de dinheiro que Jake é obrigado a dar, mais forte ficam os comportamentos do Gold. Acontece que Avi e Zach na verdade eram os dois vizinhos de cela de Jake. E estes novamente modificam as contingências comportamentais de Jake, ou seja mudam os comportamentos de Jake, para ser diminuida a probabilidade de ser emitido os comportamentos do Sr. Gold. Acabam conseguindo. Mas como? Avi e Zach tem papéis peculiares dentro do filme, eles regem o filme, seus comportamentos influênciam os comportamentos de todos no filme e parece e os últimos não influênciam os primeiros, parecem ser intocáveis, impossível de serem enganados ou errar. Parecem sujeitos trancedentais que controlam tudo e todos, planejando cada detalhe de cada ação de cada personagem. É baseado nas regras do golpe perfeito que os comportamentos de Jake tem sua probabilidade modificada novamente. A vítima acha que está ganhando, quando na verdade está sendo sendo manipulada pelo jogador. Jake, enquanto Sr. Gold, é reforçado, reforçado, reforçado, até uma extinção que diminui a probabilidade de emissão de seus comportamentos. Eu diria que esta extinção acontece no momento em que Zach e Avi conversam com ele enquanto jogam golf em cima de um prédio, posso também citar a cena em que Jake diz que em algum momento a vítima pode perceber que ela pode não ganhar o jogo, ou seja, invés de manipulador ela está sendo manipulado. Dai pro final do filme acontecem as mudanças nos operantes de Jake, e somente no final do filme é que Jake volta a confiar em alguém. Sobram duas coisas para dizer. Primeiro, como explicar a cena do elevador? Aquela seria a cena  em que Jake mostra maior sofrimento, uma maior quantidade de respostas emocionais. Seriam respostas corporais resultantes de um medo que Jake havia adquirido (eu sei la onde) mas que faz parte de Sr. Gold. A segunda coisa, é que sim a extinção sofrida por Jake poderia sim gerar respostas emocionais complicadas, mas também houve uma formação de novas contingências em Jake. Ao mesmo tempo que ele deixou o Gold ele também descobriu algumas coisas, por exemplo, que os vizinhos de cela eram Avi e Zach e também que eles queriam ajuda-lo e não prejudica-lo.

Espero que tenham gostado, creio que acrescentarei mais dados nos comentários, da para falar muita coisa sobre esse filme.

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Está disponível no youtube, dividido em 18 partes, o documentário considerado como o definitivo sobre a psiquiatria: O Marketing da Loucura; promovido pela Associação de Direitos Humanos.

Assistam, não é nenhum pouco tedioso.

http://www.youtube.com/watch?v=6X3Khv2ura4&feature=related

Esse documentário assustador revela a aliança entre as indústrias farmacêuticas e os psiquiatras na fabricação de doenças mentais com fins lucrativos. O marketing da loucura gera, por ano, 700.000  sérios efeitos colaterais, 42.000 mortes e muitos bilhões de dólares. Os problemas psicológicos são reduzidos a problemas meramente bioquímicos, baseada na teoria não comprovada do desequilíbrio químico cerebral. É a desculpa pro uso desenfreado de drogas psicoativas.

Resumindo bem o esquema apresentado no filme: propagandas farmacêuticas na TV americana prometem uma vida mais alegre  e saudável para as pessoas. Um comprimido aparece na TV de um cara que, como todo ser humano, estará sobre certas pressões cotidianas, alteração de humor e preocupações. Porém, o que as industrias farmacêuticas fazem é tornar as dificuldades cotidianas e “normais” em sintomas de distúrbios psicológicos. Enganado pela propaganda, o cara procura o médico, que consulta seu DSM, um manual não científico de diagnósticos para doenças mentais. Aí está a aliança entre os psiquiatras e a indústria farmacêutica.

 O problema é que todo comportamento humano está sendo rotulado como sintoma de doença mental. Segundo a lógica do DSM, somos todos insanos. Desconfiança é desordem de personalidade paranóica, ficar triste com a morte de um ente querido é ter desordem depressiva maior, ser tímido é ter desordem de ansiedade social, ter altos e baixos é ter transtorno bipolar. E os rótulos nunca acabam.

O DSM V pretende ser lançado em 2012 e irá conter: Desordem de dependência de internet, desordem de compras compulsivas, descontrole alimentar, desordem intermitente explosiva (a ira do motorista), e mais outras coisas bizarras.

Cada novo diagnóstico significa uma droga para TRATAMENTO, nunca cura. Cura não gera lucros. Aí o médico receita uma Thorazine (a lobotomia química), ou um Válium, Miltown, Prozac (antidepressivo que muitas vezes provocou suicídios ao redor do mundo inteiro), qualquer que seja a droga do momento.

A indústria farmaceutica chega até nossa sala de estar num regime diário e tenta nos convencer de que temos um problema e que eles podem resolve-lo com uma pílula. Isso é perigoso.

Hoje tomei meu prozac.

 

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Estava pensando nas bandas que gosto de ouvir, quando percebi que muitas delas são da época dos meus pais, ou até mesmo dos meus avós. O que eu gosto não é “do meu tempo”. Acho que por esse e por outros motivos não sou um bom representante da minha geração. Imaginem o diálogo: “Pai, eu estou gostando de Alice Cooper”, “Legal filho, lembro de ter comprado alguns LPs dele quando tinha sua idade”. No colégio era quase impossível ter uma conversa agradável e decente sobre música. Eu não conhecia muita coisa atual e os meus colegas também não conheciam muita coisa antiga.

Bem, resolvi fazer uma lista de CDs antigos de rock abrangendo só uma década. Uma década que parece ter sido rica, intensa e interessante de se viver: os anos 70. Claro, é óbvio que estarei deixando muitos ótimos álbuns de fora por não conhecer e não querer fazer uma lista infinita. Fazer listas é uma coisa bem inútil, você começa, modifica ela um monte e no fim  percebe que esqueceu de colocar um monte de outras coisas. Porém, ficar pesquisando as datas pra motar a lista me deu um senso temporal legal para quem gosta de história do rock.  Coloquei o título das músicas que considero ser as melhores em cada CD.

Sem mais delongas, aí vai rock dos anos 70:

(1970) “Let it be” – Beatles – o último CD dos Beatles, gravado em 69 e lançado em 70

  • Across The Universe; I Me Mine; ; Let it Be; I Got a Feeling

(1971) “L.A. Woman” – The Doors

  • Love Her Madly; L.A. Woman; Riders on The Storm

(1971) “Led Zeppelin IV” –  Led Zeppelin –  conhecido também por “álbum sem nome”, “o quarto álbum”, ou “os quatro símbolos”

  • The Battle of Evermore; Stairway to Heaven; Going to California; When The Levee Breaks

(1971) “Sticky finger” – Rolling Stones

  • Sway; Wild horses; I got the blues; Sister Morfine; Dead flowers

(1971) “Who`s next” – The Who

  • Todas

(1973) “Pronounced ‘Lĕh-‘nérd ‘Skin-‘nérd’”Lynyrd Skynyrd (altamente recomentado para motoqueiros)

  • Tuesday`s Gone; Simple Man; Free Bird

(1975) “Ritchie Blackmore’s Rainbow”Rainbow

  • Man on the Silver Mountain; Catch The Rainbow; Temple Of The King

(1975) “A night at the opera”Queen

  • Death on Two Legs; I`m in Love with My Car; 39; Bohemian Rhapsody

(1975) “Wish you were here”Pink Floyd

  • Todas

(1979) “London calling”The Clash

  • London Calling; Hateful; Spanish Bombs; Clampdown; The guns of Brixton; Train in Vain

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Na verdade, fiz a lista de forma que uma mesma banda não tivesse dois CDs, mas não podia deixar de fora um dos meus álbuns favoritos: a épica opera-rock  dos ingleses Pink Floyd:

(1979) “The wall”Pink Floyd

  • Não seja fresco(a) e escute tudo de uma vez. Por se tratar de um disco não convencional e de natureza conceitual, ou seja, a junção de todas as músicas (até aqueles momentos aparentemente sem graça que mal dá um minuto) forma um todo que só pode ser percebido escutando o álbum inteiro e na ordem. Lembrando que The Wall tem aproximadamente 81 minutos.

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Big Fish (2003)

Resumo: Ed Bloom é um contador de histórias que adora contar as histórias de sua vida, fantasiando-as. Isso acaba irritando o filho Will, que reclama por nunca saber a verdadeira história da vida do pai. Estas reclamações acabam separando pai e filho, até o momento em que Ed está em seu leito de morte, e os dois acabam tendo que unir novamente os laços até um final do filme espetacular.

COMENTÁRIO: Se eu tivesse que resumir esse filme em somente duas palavras, eu diria: Muito lindinho”. Essa foi basicamente a sensação que eu tive ao ve-lo. Me diverti muito com a maneira como a vida de Ed é retratada no filme, cada traço,cada momento de sua vida consegue encantar o telespectador. Acho que esse era o objetivo de Daniel Wallace ao escrever o livro, bom vai saber… só sei que ele conseguiu. O fim do filme é mais perfeito ainda, pois mostra um momento de perfeita união entre pai e filho.

Eu diria que cada momento da vida de Ed não é só melhorada pelas suas histórias. Na verdade, é fácil pensar que: “Ah, o cara não gosta da vida dele como ela é, dai fica inventando essas histórias para melhora-la”. Bom essa é uma interpretação, mas eu prefiro pensar o contrário. O fato de a vida de Ed ter sido tão espetacular (pelo menos para ele) que gerou tantas belas histórias. Eu vejo as histórias de Ed como uma representação da vida que ele teve (jura? quase não percebi isso ¬¬), mas sendo uma representação, deve ser pelo menos um pouco fiel a realidade. Sendo Ed tão grato pela realidade que viveu, as histórias geradas por ele deveriam também proporcionalmente serem espetaculares.

Tim Burton (pra varia) conseguiu fazer um filme realmente lindo, perfeito para assistir para relaxar e se encantar. Também gostei muito da atuação de Ewan McGregor que (também para variar) consegue fazer grandes filmes.

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