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Archive for agosto \14\UTC 2011

“A primeira vítima da guerra é a verdade”

The war you don`t see, documentário do jornalista John Pilger, mostra fatos que as grandes mídias como a BBC e o New York Times não podem mostrar sobre a guerra do Iraque. A mídia enfatiza fatos para criar uma imagem positiva do governo americano e do Pentágono, muitas vezes notícias para justificar a guerra ou “satanizar” o inimigo, e omite o que ela julga que o público não precisa saber. Ela não precisa mentir, só em casos extremos. Por isso que a manipulação pela ênfase e omissão é um jogo mais sutil e eficiente. No documentário, Pilger investiga o papel da mídia na guerra, começando com as propagandas utilizadas na II Guerra Mundial.

Já no começo do filme, ele desmascara jornalistas que não questionam seus governantes e autoridades, repetindo de modo acrítico o que os líderes falam, os mesmos jornalistas que não pesquisam por conta própria, não obtendo informação de primeira mão.

Várias perguntas são levantadas durante o filme, por exemplo: Qual a função social do jornalista? A imparcialidade é realmente possível? Se sim, é desejada?

Numa determinada cena do documentário, Pilger diz que os jornalistas tem o dever de dar a voz para aqueles que não possuem um representante de peso na grande mídia, como o caso da Palestina. Por exemplo, o ponto de vista de Israel tem muito mais destaque na nossa mídia. O povo tem esse mesmo acesso de informação quando se fala de minorias, como os palestinos ou o MST? Eles realmente tem espaço para falar, demonstrar seu lado da história? Essa exposição massiva de somente um lado se deve por um principal fator: a mídia serve aos interesses de determinada classe social, aquela das marcas caras que anunciam nos seus canais.

O documentário choca e mostra muitas desgraças que a intervenção dos Estados Unidos vem causando no Oriente Médio. Apesar do filme ser recheado de informações, só  colocarei uma estatística impressionante que Pilger nos traz: “Durante a Primeira Guerra Mundial 10% de todas as baixas eram civis. Durante a II Guerra Mundial, o número de mortes de civis aumentou para 50%. Durante a Guerra do Vietnam, 70% das baixas eram civis. Na guerra do Iraque, os civis representam 90% do total de mortes.”  A guerra que você vê é o que a grande mídia decide mostrar. A guerra que você não vê é o abundante sofrimento humano, a irracionalidade, o desespero e a morte de inocentes.

O que podemos fazer é buscar fontes alternativas de informação, como blogs e jornais independentes, geralmente menos falados do que a Folha de S. Paulo, o Jornal Nacional e o Fantástico.

Bom, o que posso contribuir para difundir diferentes informações e pontos de vista são com os seguintes links:

http://www.resistir.info/ Site português com vários artigos interessantes.

http://www.democracynow.org/ – Tem rádio, textos e programa de TV online em inglês.

http://diplomatique.uol.com.br/ – Nossa edição BR do bem conceituado jornal francês.

http://www.revistaforum.com.br/ Site da Revista Fórum.

http://carosamigos.terra.com.br/ Site da revista Caros Amigos

Está disponível no youtube o documentário quase inteiro, infelizmente sem final, com legenda em português :

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No começo de janeiro desse ano li “Adeus às armas”. O romance anti-guerra e sua atmosfera sombria e violenta aumentou minha curiosidade para ler outros livros de Ernest Hemingway (aliás, “Adeus às armas” merece uma boa e longa resenha). Um par de semanas depois, meu irmão comprou o aclamado O velho e o mar no sebo. Peguei o livro num dia de tédio e não consegui dormir antes de acabar. Comecei a ler o livro sem saber direito como era a história, só sabia da fama do romance. Isso foi interessante, pois todos os obstáculos enfrentados pelo narrador (já que muitos deles encontrei depois em vários resumos na internet) me pegaram de surpresa e me empolgaram. É uma grande vantagem de ler um livro sem saber muito do que se trata.

Escrevo esse pequeno post por que essa obra virou um dos meus livros favoritos. O velho e o mar é um livro pequeno, com menos de 100 páginas, escrito em 1951 enquanto Hemingway morava em Cuba, sendo seu último trabalho publicado em vida, antes de se matar com um tiro. O livro começa assim: “Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Gulf Stream. Havia oitenta e quatro dias que não apanhava nenhum peixe. Nos primeiros quarenta, levara em sua companhia um garoto para auxiliá-lo. Depois disso, os pais do garoto, convencidos de que o velho se tornara salao, isto é, um azarento da pior espécie, puseram o filho para trabalhar noutro barco, que trouxera três bons peixes em apenas uma semana.”

O velho Santiago resolve tentar a sorte mais uma vez e acaba travando uma luta épica com um merlin gigante. O que achei mais admirável é a harmonia entre o velho e o mar, ele e a natureza viram uma coisa só e em mais de uma passagem diz que peixes tem mais dignidade que os homens. Quando o pescador finalmente pega sua presa, ele a trata com carinho, como se fosse um irmão. Até poderia ser interpretado como um elogio à ligação do homem com a natureza. Mas a história não para aí, e não vou contar mais nada para não estragar a leitura de um possível interessado.

O livro é fácil de ler (como não é dividido em capítulos, a narrativa parece ser mais rápida) e apesar de ser sobre pescaria, coisa que odeio, é um romance muito bom que abrange outras temáticas. De modo conciso e direto, numa linguagem jornalística, Hemingway é capaz de abordar temas profundos sobre a força do homem, dignidade, sorte e honra.

Por causa dessa descrição complexa, os elementos do livro tem a potencialidade de serem interpretados de várias formas, podendo ser considerados como símbolos. Um exemplo que posso dar é o mar: a mesma “entidade” que oferece vida, lugar onde surgiu a primeira forma de vida, é habitat de criaturas ferozes que atrapalham o velho.

Ok, não vou entrar numa discussão sobre o desfecho do livro, mas o que pode ser tirado dele é: Nunca desista. Nunca se sabe quando você vai pegar um Merlin gigante. E outra: Existe dignidade na derrota e na morte. Santiago, comportando-se como um cara durão, lutou até o ultimo minuto, contra tudo e até contra ele mesmo, dando o melhor a cada momento e por isso não temia a morte. Morreria como um grande homem.

É um excelente livro, considero-o um gigante.

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