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Archive for novembro \28\UTC 2011

 

 Aproveitando que o Fábio aproveitou o trabalho de Psicologia Social para fazer uma resenha de um livro, vou aproveitar também. Só que com uma diferença, falarei do filme correspondente ao livro.

Grapes of Warth (As Vinhas da Ira) é um filme de 1940 baseado no livro de mesmo nome lançado em 1939 por John Steinbeck. O filme foi dirigido por John Ford e estrelado por Henry Fonda. É uma bela obra do cinema e de fato representa um clássico de Hollywood.

O filme conta a história da família Joad que são pequenos agricultores do estado de Oklahoma. Por conta de dois eventos principais, que citarei mais adiante, está e outras famílias são obrigadas a deixarem suas terras e tentarem a sorte no estado da Califórnia. Será feito primeiro uma contextualização histórica do filme para melhor explicação deste. Serão abordados dois eventos principais para contextualizar o filme, o primeiro será a grande depressão de 1929 e o segundo o desastre geográfico conhecido como Dust Bowl.

Em 1929 ocorreu nos EUA o crack da bolsa de Nova York. Foi considerada uma das maiores crises econômicas e teve consequências graves em diversos países no mundo. O evento ocorreu por conta da superprodução de mercadorias e causou a falência de milhares de empresas, a perda de milhares de empregos, o despejo de boa parte da população na zona de miséria. Os EUA passou por um período de recessão que durou todo os anos de 1930 e a crise só foi completamente superada após a segunda guerra mundial (1945). A crise foi causada por uma superprodução. Após a primeira guerra mundial os países da Europa estavam devastados e os EUA exportavam grandes quantidades de produtos industrializados e alimentos para estes países. Isso causou um crescimento fantástico na economia americana, o que levou um número cada vez maior de pessoas a investirem na bolsa de valores. No entanto, com a crescente recuperação dos países europeus a importação de produtos começou a cair, mas a produção de mercadoria nos EUA ainda era alta. Isso causou uma queda nos preços que levou várias indústrias a falência e aumento na taxa de desemprego. O processo culminou no dia 24 de outubro de 1929, dia conhecido como a quinta feira negra. A crise começou a ser superada em 1933 quando Roosevelt implantou uma serie de medidas chamadas de New Deal. Essas medidas visavam a produção de empregos através da construção de escolas, hospitais, hidroelétricas, represas, etc. Além disso, diversas agências para ajudar a população foram criados, sendo o mais importante deles o “Federal Agency Relief Administration”.

            O segundo evento importante para contextualizar o filme chama-se Dust Bowl. A tradução deste termo significaria algo próximo de bola de areia. Trata-se da crise climática pelo qual passou a região centro-leste do EUA nos anos de 1930. Esse evento consistiu numa grande tempestade de poeira que durou quase uma década e causou grandes estragos nas plantações nestes períodos, além de trazer graves doenças respiratórias para os habitantes dessas regiões. Essa crise foi causada pelo uso indiscriminado de terra. Trata-se da combinação de uma seca severa combinada com o uso indiscriminado da terra para cultivo sem o uso de técnicas para prevenir a erosão. Este evento ajudou a piorar a situação dos agricultores da região central dos EUA (inclusive os do estado de Oklahoma que são tratados pelo filme). Por conta dessa crise, milhares de quilômetros de terras tornaram-se inúteis para plantio, e milhares de famílias tiveram que abandonar suas terras. Alguns decidiram migrar para outros estados, entre eles Califórnia, estimulados pela ilusória propaganda de emprego e se tornaram migrantes em busca de trabalho.

“As Vinhas da Ira” pode ser contextualizados nestes dois eventos. Os Joad’s é uma família de agricultores de Oklahoma que arrendaram uma terra por gerações, no entanto, por conta da crise de 1929 e pelo “Dust Bowl” se veem obrigados a deixar suas terras, assim como outras famílias na região. Acontece que os verdadeiros donos das terras decidiram que não compensava mais manter o modelo tradicional de arrendamento, e decidiram passar a usar a maquinaria pesada e as novas técnicas trazidas pela ciência para cultivar a terra. Estas famílias, inclusive os Joad’s, são estimuladas a migrarem para o estado da Califórnia devido às propagandas feitas pelos donos das fazendas divulgando a necessidade de trabalhadores neste estado. Chegando lá, descobrem que na verdade, estas propagandas eram falsas, e para sobreviver eram obrigados a trabalhar em condições desumanas para conseguir sobreviver. O regime de trabalho se assemelhava muito a um escravista, já que o salário que os trabalhadores recebiam não era suficiente nem para comer.

Os Joad’s eram agricultores que cuidaram e cultivaram por gerações suas terras. No entanto, estas terras não era deles, e por conta disso, quando a crise chega eles são obrigados a deixa-las. Percebe-se então o desespero, angústia e tristeza causadas pela perca de algo que dava significação a suas vidas. Percebe-se que esses agricultores, ao abandonar sua terra perdem sua narrativa de vida, pois agora não conseguem mais compreender o mundo da maneira como sempre fizeram. Suas identidades também são perdidas, pois todas as histórias que regiam suas vidas estavam ligadas àquelas terras. A história de seus antepassados que viveram naquela terra passa a ser esquecida, ou pelo menos perdida, pois as próximas gerações não conseguirão mais conceber as histórias que lhes serão contados. Dessa maneira, a perda daquela terra tem um impacto muito grande na vida daqueles agricultores, de maneira que se torna muito difícil que encontrem uma significação equivalente em outro lugar. Em resumo pode-se dizer que os agricultores se viram sem um ponto fixo para se apoiar, para apoiar suas identidades, ideias, conceitos, pensamentos, pois, tudo aquilo que eles sabiam agora não vale de nada.

Ao chegar à Califórnia os Joad’s são obrigados a ficarem em acampamentos fora da cidade. Neste lugar estavam outros imigrantes que já estavam lá, alguns há mais ou menos tempo. De qualquer maneira, percebe-se nesse acampamento a exclusão, pois estes imigrantes foram obrigados a ficarem às margens da cidade, na periferia. Uma vez lá, eles eram esquecidos e não representavam mais problemas aos ricos e ao governo. Era uma terra sem leis e sem e sem presença do estado. Se pudermos fazer uma analogia, poderíamos considerar que as favelas no Brasil correspondem perfeitamente a estes acampamentos, pois se tratam de barracos mal construídos, ou construídos provisoriamente somente, por cidadãos que sempre estiveram à margem da sociedade e que são jogados lá e esquecidos. Podemos dizer ainda que este povo somente é lembrado quando começa a causar problemas para o resto da sociedade, com a violência, por exemplo. Dessa maneira a polícia, e somente ela, é chamada para reprimir a população revoltada, sendo que uma vez reprimida a violência o lugar e o povo é novamente esquecido pelo estado de maneira que só será lembrado de novo se causar mais problemas. Os ricos e poderosos também esquecem e ignoram essa população, e só lembram-se dela, quando encontram alguma maneira de explora-la, contando normalmente com a ajuda do estado para isso. Pode-se dizer então que o povo desses acampamentos vive a margem da sociedade uma vez que o estado não chega a eles. São simplesmente abandonados lá, entregue a própria sorte para sobreviverem.

A família dos Joad’s, assim como outros imigrantes, é vítima de preconceito na Califórnia. A população local vê os imigrantes como um empecilho para o desenvolvimento da população. Discursos comuns são o de que os imigrantes roubam os trabalhos da população local, são os grandes responsáveis pela violência, e são responsáveis por infectar a moral e os bons valores da população local. Forma-se então a xenofobia contra o imigrante agricultor dos estados atingidos pela seca e tempestades de areia. Discursos desse tipo são comuns em diversos momentos da história e em diversos países do mundo, sendo ainda muito frequente na contemporaneidade. Um exemplo é o preconceito que o imigrante, principalmente latinos e mexicanos, sofre nos EUA. Esse país tem uma política extremamente aversiva contra imigrantes, devido às crenças de que estes são os verdadeiros culpados pela crise econômica, falta de empregos, tráfico de drogas e violência. Isso é causado pela desinformação em massa por qual passa o povo americano e de diversos outros países no mundo. Normalmente as estatísticas de violência são vinculadas aos latinos, americanos e negros nos EUA, o que poderia ser motivo para acreditar que essas etnias realmente são mais violentas, caso não se aprofundasse a investigação e se descobrisse que estas etnias são normalmente as mais entregues à miséria, com menor auxílio do estado e menos representada por seus governos. Outro ponto importante é que a falta de empregos nos EUA devem-se a crise econômica que o país passa atualmente, e não tem nada a ver com imigrantes. Inclusive, normalmente imigrantes são obrigados a procurar os empregos mais baixos da sociedade, tais como empregadas, atendentes de lojas, cozinheiros, garçons, etc.

Ao longo da história é comum a vinculação de culpa com grupos que normalmente representam a minoria em tempos de crise. Na Alemanha pós-primeira guerra os culpados pela crise econômica gravíssima pela qual o país passava foram os judeus. O que posteriormente levou a construção de estereótipos desse povo que justificava a eliminação deles. Este evento começou pouco antes da segunda guerra e só foi terminar com o fim desta guerra com a queda da Alemanha nazista, e ficou conhecido como holocausto, que causou a morte de mais de seis milhões de judeus. Isso só ajuda a provar que normalmente são formados bodes expiatórios para levarem a culpa pelos problemas do país/grupo.

Nos EUA dos anos de 1930 a situação da população era desesperadora. Devido à crise de as taxas de desemprego eram altíssimas e quase toda a população havia perdido tudo. Combina-se a isso a crise geográfica chamada “Dust Bowl” e a situação do país só piora. Por conta disso a imigração para a Califórnia é vista como prejudicial para o povo local. Este logo elegem os imigrantes como responsáveis por suas situações de miséria e começam a agir agressivamente contra os imigrantes. Eles julgam que os imigrantes estavam tomando seus empregos e querem eles fora. A situação se agrava quando próprios representantes da lei aderem a esse pensamento e também desejam que os imigrantes sumam da Califórnia.

No filme percebe-se o capitalismo na sua forma mais pura, e coincidentemente na sua forma mais desigual, predatória e desumana. A crise econômica, a falta de empregos, a distribuição de renda precária são fatores que ajuda a jogar a população contra ela mesma, fomentando a violência, preconceito, concorrência e disputas. A investida de bancos para tomarem as terras dos pequenos agricultores e usa-la para lucrar, combinada com a falta da participação do estado na economia, deixando as camadas mais pobres da população entregue a própria sorte, a exploração que os fazendeiros empreendiam na população visando somente o lucro. Todos estes são fatores observáveis no filme e que ajudam a considera-lo um filme extremamente atual, pois, fornece um panorama que facilmente é visto nos dias atuais. Por conta disso, o filme e a correlação dele com outros estudos é de suma importância já que ajuda a pensarmos em atitudes que possam mudar esse panorama atual.

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Mr. Nobody (2009)

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Albert Camus: biografia

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia ainda colônia francesa, no dia 7 de Novembro de 1913.  Seu pai morreu na Primeira Guerra Mundial,  na batalha do Marne, um ano após o nascimento do filho. Camus, seu irmão mais velho, Lucien, e sua mãe foram pra Argel. Lá ele cresceu entre a pobreza do bairro proletário Belcourt, lugar que proporcionava a atmosfera intelectual para que Camus se interessasse por filosofia e pela política.

Seu primeiro livro de ensaios, “O avesso e o direito”, descreve o ambiente físico do bairro e do apartamento de dois cômodos que morava com a mãe, o irmão, a avó materna e seu tio paralítico. Os membros da família são retradados no livro também. Outra coletânea de ensaios, “Núpcias”, contém meditações líricas sobre o interior de Argélia e contrasta a frágil mortalidade do ser humano com a durabilidade do mundo físico.

Era um garoto muito talentoso, e ganhou uma bolsa escolar para o liceu com a ajuda do professor Louis Germain em 1923. Camus gostava muito de futebol e jogava bem como goleiro, mas a tuberculose impediu seu sonho de jogar profissionalmente.

Após o primeiro ataque de tuberculose, Camus passou um ano morando com seu tio, Gustave Acault, homem conhecido por ser culto e autodidata. Foi com Acault que ele desenvolveu seu amor por literatura e conheceu as ideias anarquistas.O professor de filosofia do liceu, Jean Grenier, também foi uma figura influente para Camus. Grenier introduziu o jovem ao pensamento de Bergson e Nietzsche. Após um tempo, o professor foi lecionar na Universidade de Argélia, na qual Camus ingressou em 1933. Neste período, Camus vivia sozinho e se mantinha com vários empregos.

Com uma paixão enorme pelo teatro, Camus escrevia, adaptava e trabalhava para o Thétre du Travail (Teatro dos trabalhadores), dando oportunidades para a comunidade proletária assistir grandes peças. Ele manteve seu interesse por teatro até a morte.

Grenier também influenciou Camus a participar do partido comunista da Argélia em 1934. Greiner acreditava que o melhor que Camus poderia fazer com sua simpatia pelo socialismo era se juntar com intelectuais já trabalhando para o partido. Camus nunca se denominou de marxista e não apoiava Lênin ou Stalin. Defendia o nativismo argelino, motivo pelo qual foi expulso do partido em 1935.

Camus conheceu Simone Hie em 1932. Hie era uma atriz boêmia considerada bonita, mas tinha problemas com vício em morfina desde quando tinha quatorze anos. Em 1935, Camus e Hie casam-se. Entretanto, Hie envergonhava Camus em público devido seus problemas e o traia dormindo com seus amigos. Camus resolve divorciar-se dela em 1940.

Em 1938, Camus trabalhou como jornalista no jornal de esquerda recém-inaugurado, Alger Republicain. Ele era responsável por cobrir as notícias da Argélia. O emprego no jornal proporcionou duas coisas além do salário: uma plataforma política, já que Camus tinha sido expulso do partido comunista; e a oportunidade de refinar sua escrita e escrever resenhas sobre literatura, como as obras de Jean Paul Sartre. Camus também escreveu uma série de artigos, chegando a escrever onze sobre a fome em Cabília, região norte da Argélia, área montanhosa banhada pelo Mediterrâneo.

Seus escritos políticos e sociais assinalavam muitas das injustiças que previam a Guerra da Argélia (1954 – 1962), conflito pela independência.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, O Alger Republicain teve que ser fechado. Depois de uma fracassada tentativa de erguer outro jornal no lugar, o Le Soir Republicain, Camus se muda para Paris em 1940. Em Paris, trabalhou em um jornal como datilógrafo, ofício que Camus não gostava. Como ele não conhecia ninguém na capital francesa e não se interessava pelos assuntos do jornal em que trabalhava, escândalos ou crimes, Camus ficou deprimido.

Em 1940, casa-se pela segunda vez com Francine Faure.

Na França, Camus encontrou tempo para dedicar-se à escrita. Em julho de 1942 publica “O estrangeiro” e em outubro publica “O mito de Sísifo”, obras que deixaram Camus famoso dentro dos círculos literários franceses. Em 1944, Camus escreve para Combat, a revista underground da resistência francesa. Depois que a França foi libertada do domínio nazista, Camus continuou escrevendo para a revista e publicou sua peça de teatro “O mal entendido”, ainda em 1944.

Em 1945 Camus encontra-se pela primeira vez com Jean Paul Sartre. Esse ano também testemunhou o nascimento de seus filhos gêmeos, Jean e Catherine.

Camus foi bem recebido nos Estados Unidos em um ciclo de palestras em 1946, sendo que no ano seguinte seria publicada o Best-seller de sua carreira, o romance “A peste”. No próximo ano, 1948, publicaria a peça de teatro “Estado de sítio”.

Camus, já um famoso escritor de muito respeito, enfrenta fortes ataques de tuberculose no período de 1949 a 1951. Além das dores físicas, Sartre critica “O homem revoltado”, obra de Camus publicada em 1951, causando grande tristeza no autor pela dura crítica feita pelo amigo. Camus entrou em depressão e cortou a amizade com Sartre em 1952.

Em 1956 ele publica “A queda” como uma reação ao fracasso d`“O Homem revoltado”. Apesar de o romance ser bem recebido por Sartre, dizendo que o “velho Camus está de volta”, os dois nunca mais fizeram as pazes. No ano seguinte, Camus recebe o premio Nobel de Literatura e realiza um discurso de agradecimento para Louis Germain, o professor do liceu.

Em um acidente de carro ocorrido em 4 de janeiro de 1960, Camus perde sua vida. Seu romance inacabado, “O último homem”, é encontrado em sua maleta, em meio aos destroços. A obra foi publicada postumamente em 1995.

Albert Camus, ensaísta, romancista e teórico político, foi considerado o porta voz da geração pós-segunda guerra mundial, não somente na França, mas no mundo inteiro. Seus escritos, sobre o isolamento do homem em um universo desconhecido, o estranhamento do indivíduo consigo mesmo, o problema do mal, e a fatalidade da morte, refletem acuradamente o espírito da desilusão intelectual após a Segunda Guerra Mundial.  Assim como Sartre, ele é lembrado por seus romances existenciais. Apesar de reconhecer o niilismo de seus contemporâneos, Camus acreditava na importância de defender valores como a verdade e a justiça. Em seus últimos trabalhos, Camus esboçou seu ideal de humanismo que rejeitava aspectos dogmáticos, como os presentes no cristianismo e no marxismo.

  • Obras de Albert Camus

1937 – O avesso e o direito (L’envers et l’endroit), ensaio.
1938 – Núpicias (Noces), antologia de ensaios.

1938 – Calígula (Caligula), peça de teatro.
1942 – O estrangeiro (L’Étranger), romance.
1942 – O mito de Sísifo (Le Mythe de Sisyphe), ensaio sobre o absurdo.
1944 – O mal entendido (La Malentendu), peça de teatro.
1947 – A peste (La Peste), romance.
1948 – Estado de sítio (L’Etat de siége), peça de teatro.
1950 – Os justos (Les Justes), peça de teatro.
1951 – O homem revoltado (L’Homme révolté), ensaio.

1954 – O verão (L`Été), ensaio.
1956 – A queda (La Chute), romance.
1957 – O exílio e o reino (L’exil et le royaume), contos.
1970 – A morte feliz (La Mort heureuse), publicado postumamente.
1995 – O primeiro homem (Le premier homme), romance inacabado publicado postumamente.

 Fontes:

ALBERT CAMUS BIOGRAPHY. Disponível em: < http://www.camus-society.com/ >. Acesso em: 06 nov. 2011.

BIOGRAPHY. Disponível em: <http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/1957/camus-bio.html&gt;. Acesso em: 06 nov. 2011.

ALBERT CAMUS, BIOGRAPHY. Disponível em <http://www.biography.com/people/albert-camus-9236690&gt; Acesso em: 06 nov. 2011

 

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What kind of peace do we seek? Not a Pax Americana enforced on the world by an American weapons of war. Not the peace of the grave or the security of the slave. I am talking about genuine peace, the kind of peace that makes life on earth worth living…not merely peace for Americans, but peace for all men and women; not merely peace in our time, but peace for all time.” J. F. Kennedy

Quilometros acima de nossas cabeças, além da nossa suspeita, satélites dirigem nossa sociedade hiper-conectada. No ano em que o filme foi feito, pelos menos 1000 satélites giravam em volta da Terra. 48% dos satélites militares e civis são propriedade dos EUA. Trata-se de um documentário sobre a nova tentativa americana de dominar uma tecnologia que garantirá seu trono, como se repetissem cegamente a história da bomba atômica. A militarização do espaço é ficção? Não. Escritores e investigadores mostram que há décadas os EUA visam o domínio espacial para garantir sua esperada supremacia. Mas o custo dessa tecnologia pode ser no mínimo igual aos riscos enfrentados pela humanidade durante a guerra fria.

Desde o fim da segunda guerra mundial, com o projeto “paper clip” destinado a capturar e utilizar os intelectuais e engenheiros nazistas, os EUA investem em tecnologia espacial. Werner Von Braun é um ícone desse projeto. O criador dos foguetes V2 utilizados pela Alemanha nazista tornou-se diretor da NASA em 1960 e foi um dos responsáveis pelo sucesso do lançamento do primeiro satélite americano. Mesmo com o fim da corrida tanto armamentista quanto espacial com a Russia, os EUA não tiraram os olhos do céu.

O mair medo da força militar norte americana é perder seus satélites, mesmo que sejam somente 50 deles. Isso deixaria a  espionagem que usa satélites eletro-óticos cega, cortaria a comunicação entre as tropas, paralisaria as navegações e controle dos misseis guiados. Sem eles, não seria possível uma ação militar eficiente. E para aumentar o rol de necessários inimigos que justifiquem as pesquisas e investimentos espaciais, a China está sendo forjada como inimiga dos norte-americanos.

Sabendo que 50 cents de cada dólar do imposto americano é destinado para o Pentágono, é espantoso  pensar no número de tecnologias e projetos que podem estar sendo desenvolvidos. Um deles é um sistema de satélites chamado “Varas de Deus”. Esses dispositivos apontados para o nosso planeta lançariam lanças de tungstênio em direção à qualquer alvo na Terra. O projétil foi feito exatamente para não se encaixar na definição de arma de destruição em massa da ONU, mas sua capacidade destrutiva é similar de uma bomba nuclear. Clique aqui (pagina em inglês) para saber mais sobre essa tecnologia.

Além disso, há uma irrefutável questão ambiental com consequências drásticas:

Cada lançamento espacial produz poluição e detritos. Esses detritos podem atingir um satélite e destruí-lo. Por sua vez, os detritos desse satélite poderão destruir muitos outros satélites. Uma reação em cadeia ameaça o ambiente espacial, um lugar quase impossível de ser reciclado.

Isso não é somente previsão. Atualmente há uma nuvem de fragmentos sobre nosso céu. Cerca de 600.000 destroços percorrendo a órbita terrestre a 22.000 km/h. O documentário mostra que certas regiões do espaço serão inoperáveis, será como um campo minado e não poderemos mais realizar nenhum lançamento sem a nave ser destruída. Toda nossa rede espacial civil iria ser destruída paulatinamente até nossas sociedades e nosso cotidiano ser totalmente desestruturado.

Diria que destruir os satélites militares não só americanos, mas de todos países, seria um modo para enfraquecer ou até paralisar as máquinas de guerras. Mas isso implica em poluir nossa órbita e possivelmente a destruição de satélites indispensáveis para a vida civil atual. Destruir a coluna vertebral da defesa americana seria minar nosso espaço.

O documentário cumpre a tarefa de deixar o espectador indignado e deprimido com a situação do mundo. Como a gente consegue viver nesse lugar desgraçado? Apesar do documentário apontar um caminho para agirmos contra  a militarização do espaço, não me deixou menos cético. Mas como diz Zygmunt Bauman, assim como o medo e a coragem, o desespero e a esperança nascem juntos.

Veja o trailer:

[Encontrei esse documentário num blog que recomendo: http://docverdade.blogspot.com/]

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