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Archive for dezembro \24\UTC 2011

VERSÃO ATUALIZADA DESTE POST NO NOVO BLOG! (http://novoresenharexperientia.wordpress.com/2014/06/17/retalhos-a-autobiografia-de-craig-thompson-em-quadrinhos/)

 

Retalhos (Blankets, no original) de Craig Thompson é uma história em quadrinhos sobre a infância e adolescência do próprio autor, mostrando um vida difícil em Wisconsin, no centro dos Estados Unidos. Além de em casa ser atormentado por seu pai rígido e sua mãe religiosa demais, na escola Craig apanha e é descriminado por ser diferente dos caras atletas de mullets. A  relação difícil com a religião e com seu próprio eu marca toda a história, em 592 páginas. As lembranças do autor também cobrem a relação ambígua com seu irmão mais novo, Phil, que ao mesmo tempo não o deixava dormir enquanto os dois tinham que dividir a mesma cama, mas foi um parceiro nas horas de brincar.

Apesar do começo deprimente, onde Craig é isolado e reprimido pela família, escola e pela igreja local, Retalhos é um conto sensível sobre seu primeiro amor, Raina, e sobre achar seu caminho para a vida adulta. Na adolescência, Craig conhece a garota em um acampamento religioso, junto com outros dois excluídos, um punk e um hippie.  Começam a ficar  juntos, fogem para a floresta e matam as missas. Há uma intensa troca de olhares entre os dois.

Depois do acampamento, Craig e Raina trocam correspondências. Escrevem cartas, mandam flores e ele envia alguns desenhos para ela. São flertes a distancia. Após um tempo, Craig recebe um telefonema dela. Raina passa por um duro momento, pois seus pais vão se separar, e ela sente-se muito sozinha. Por isso, convida Craig para passar 2 semanas para ficar na casa dela. Para convencer a mãe, Craig enfatiza que a família dela é cristã e que não vai dormir no mesmo quarto que ela, já que os pais delas estarão lá também. Já para receber o aval do pai, Craig precisa voltar a assistir todas as aulas, pois ele matava muitas, tirar notas boas e abandonar seu vegetarianismo e comer carne. Realizando as duas primeiras mas trapaçando na última promessa, o rapaz consegue ir ver a garota.

Como os filmes 500 days of Summer ou Annie Hall, Retalhos também é um conto bonito sobre um amor passageiro. A escrita e desenhos sensíveis, sem ser piegas, dão um toque sensual mas também melancólico para os momentos entre Craig e Raina. Os dois são ao mesmo tempo profundamente íntimos, mas distantes. “Tudo degenera”, explica Raina enquanto os dois voltam de uma festa.

A religião permeia a relação entre os dois, assim como as dúvidas de Craig. Em um momento, ele agradece a Deus por poder dormir junto com uma criatura tão perfeito, mas se pergunta se não era pra ele se sentir culpado. Também não fica a vontade com seu próprio corpo e se sente sujo por um tempo por desejar sexualmente Raina.

O título da história refere-se a uma colcha de retalhos que Raina fez e deu de presente para Craig durante sua visita. Ele se impressiona com o tempo dedicado e é o maior símbolo do afeto entre os dois. A única coisa que Craig não consegue deixar para trás é essa colcha.

O amor entre os dois passados em duas semanas esfria quando Craig volta para casa. Em um telefonema, ela explica que não pode se comprometer com mais uma responsabilidade, o namoro, mas que quer manter a amizade. Os dois matem contanto por certo tempo, mas Craig decide esquece-la e diz adeus.

“Como é bom deixar marcas na superfície branca. Fazer um mapa dos meus passos. Mesmo que seja temporário”, é a ultima narração das páginas finais, podendo ser uma metáfora para sua curta relação com Raina.

Mas não se engane. Como escrevi antes, Retalhos não é só romance. É uma narrativa complexa sobre crescer, questionar a religião, o papel da fé para cada pessoa, a responsabilidade de ser o irmão mais velho e sobre deixar seu passado e seguir a vida.

Não pretendia escrever algo muito grande, sei que ficou vago, mas o intuito era indicar essa boa história em quadrinhos.

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Que o homem é o mestre da natureza é o caralho. Representada pelo macaco Cesar durante uma cena chave, a natureza recusa-se a ser tratada como bichinho doméstico.

Planeta dos Macacos – A origem (Rise of  The Planet of The Apes, 2011) mostra a natureza gritando “não!” ao homem, colocando-o no seu devido lugar. Esse prequel para o filme de 1968, o primeiro Planeta dos Macacos, se passa em São Francisco.

Em São Francisco, o experimento com um remédio contendo o vírus ALZ 112, destinado a terapia genética para a cura do Mal de Alzheimer, mostrou ótimos resultados com chimpanzés. Porém, após um desastre com uma das cobaias, Will Rodman (James Franco), cientista criador da droga, leva o filhote dela para casa meio contra gosto. Talvez o macaquinho seja uma boa companhia para seu pai Charles que sofre de Alzheimer (John Lithgow), que acaba batizando o macaquinho de Cesar. Passam-se 3 anos, Cesar cresce e apresenta um desenvolvimento cognitivo mais veloz que de um bebê humano. Ele aprende alguns sinais para se comunicar com Will e demonstra ter emoções. Cesar vive alegremente no sótão, onde tem brinquedos e uma janelinha para ver o mundo lá fora.

Em um momento, Charles com seu Alzheimer mais avançado devido uma rejeição no próprio corpo da droga 112, pensa que o Mustang estancionado na rua do vizinho é o dele e entra no carro para dirigir. Como é de se esperar, o velho bate o carro muitas vezes tentando sair do acostamento. O vizinho aparece e, sem considerar a doença de Charles o agride e chama a polícia. Enquanto isso, do sótão Cesar observa com fúria o vizinho cutucar Charles e resolve ir pra rua defender seu “avô”. O macaco, nesse momento mostrando sua capacidade agressiva, dá umas porradas no cara, o deixa assustado e quase arranca um dedo de sua mão. A polícia chega e Cesar é capturado para ser levado a um viveiro do governo parar símios em San Bruno.

Assim como a mãe de Cesar  foi morta na empresa tentando defender  seu bebê, Cesar é punido defender Charles. Se o ato de defesa da mãe macaco trouxe Cesar para Will, o ato de defesa de Cesar o tirou de Will para sempre.

Confinado no viveiro, Cesar experiencia uma verdadeira prisão. Sofre mal tratos por parte de um bastardinho que cuida dos animais, é agredido por Rocket, que entendi como o macaco alfa do local, sofre de solidão e com a péssima comida. Porém, encontra uma companhia a sua altura, um orangotango de circo que também sabe se comunicar por sinais. “A evolução torna-se revolução”, como está escrito no poster americano do filme, Cesar começa a planejar se revoltar com a ajuda dos seus companheiros de espécie. Aí começa a parte de ação (bem dirigidas, vale dizer) que imagino que muitos esperavam desde o começo do filme, quando os macacos destroem tudo. Mas não é bem assim. O fim do filme vai surpreender alguns e alegrar aqueles que gostariam de uma sequência para a origem.

Cesar, apesar de fazer referência ao fascismo com a conversa sobre os gravetos, quer a liberdade com o menor numero de baixas humanas possível. É evidente a inteligencia de Cesar durante os combates. Ele é estratégico como um verdadeiro romano, como é mostrado na batalha final do filme no meio da ponte Golden Gate.

O exército de macacos liderados por Cesar parece não buscar vingança generalizada, mas liberdade e respeito. Seu destino é chegar até a floresta de sequoias, não sair destruindo prédios. Certo, eles destruíram a Gen-Sys, mas foi um ataque válido para Cesar, já que é para lá que alguns dos seus companheiros chimpanzés foram levados para experimentos, e simbolizou uma revolta contra suas raízes humanas.

Considerei Planeta dos Macacos – A origem bom por alguns motivos que consegui pensar: A interpretação de Andy Serkis, quem faz os movimento e expressões de Cesar; a fotografia do filme e os movimentos de câmera, e por ser uma historia simples de ficção científica, mas bem contada. Sobre Serkis é vital dizer que Cesar consegue nos passar uma humanidade tremenda e assim, pode gerar empatia com quem assiste. Se você ficou triste ou torceu por Cesar, uma grande parte do mérito é de Serkis. Pessoalmente, achei um ótimo personagem com atuações dignas. Sobre a fotografia do filme, é só observar para ver a beleza. É um visual muito agradável e deixa a história ser contada com mais prazer.

E a ficção científica? Apesar dessa coisa de macacos dominarem o mundo existir no mínimo desde 68, com o primeiro filme, Rise of The Planet of The Apes consegue ser um filme muito melhor que o Planeta dos Macacos de Tim Burton e dar uma força nova para a saga. Mérito dos roteiristas. Dedicam o filme para contar a história sem pressa, mostrando as transformações e o crescimento de Cesar. E também podemos pensar em outras questões que se apresentam no roteiro as vezes de maneira sutil. Em que o homem se mete ao tentar vencer a velhice e a doença, como Will tentava? O filme levanta questões importantes para os cientistas. Qual é o limite para o controle humano sobre a natureza? Ainda é ético realizar experimentos com animais? Foi uma instituição humana que tornou Cesar num rebelde agressivo, transformando em um guerreiro por um batismo de punição. E os efeitos danosos causados nos humanos pela droga 113? Mostram o perigo do desenvolvimento científico ambicioso, a autodestruição humana.

É interessante também notar que macacos, parentes de um mesmo ancestral comum, tiram o homem do pódio. Talvez eles sejam animais racionais muito melhores que a gente. Só Bacon pra dizer que ainda somos os mestres da natureza.

Quando a briga  é entre a natureza e o homem, o filme é mais um aviso que quem sai nocauteado é a humanidade.

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Cisne Negro (2010)

Sinopse: O filme conta a história de Nina, uma jovem bailarina da Companhia novaiorquina de balé que sonha em crescer na carreira. Sua vida muda quando ela é escolhida para substituir Beth, que era a mais famosa bailarina dessa companhia e que estava se aposentando, no papel de Rainha dos cisnes da peça O lago dos Cisnes.

Mesmo quem não gosta de balé ficará impressionado com esse filme, muito por conta da capacidade de envolver o público que ele tem. Eu diria que essa capacidade deve-se em certa parte do diretor Darren Aronofsky, que neste filme demonstra a mesma genialidade e capacidade de chocar presente no seu outro filme “Requiem Para Um Sonho”. Deve-se também à edição e composição sonora do filme, que consegue situar o telespectador dentro do filme, onde se parece que o público está de fato assistindo a um recital de balé. E a atuação de Natalie Portman, que mais uma vez demonstrou todo o seu talento tendo sucesso em interpretar a personagem Nina de maneira memorável. Esta atuação inclusive lhe rendeu o Oscar de melhor atriz contra concorrentes de alto nível. Esta soma de ótimos trabalhos rendeu a Cisne Negro 5 indicações ao Oscar de 2011, entre eles o de melhor filme.

Spoiler: Nina é uma filha super protegida que ainda mora com a mãe, e vive sobre a constante vigília desta. Inclusive, chegando ao cúmulo de não ter privacidade nem no próprio quarto, já que este não tem tranca. Ela é a menina inocente e ingênua que é escolhida para interpretar a rainha dos cisnes na peça lago dos cisnes. Este papel pretende juntar os dois cisnes (branco e negro) em um só personagem. Isso exige de Nina a capacidade de atuar de duas maneiras opostas, de um lado a mulher inocente, delicada e ingênua, e de outro, a mulher sedutora, manipuladora e até agressiva. Esta exigência causa um esforço muito grande por parte de Nina que chega a ter alucinações por conta disso. Soma-se a isso o aparecimento de Lilly (Mila Kunis) que aparece como substituta de Nina para o papel de rainha dos cisnes, e acaba sendo uma rival que Nina deve vencer. Para piorar, Lilly corresponde em muito ao papel de cisne negro.

O primeiro ponto a ser tratado é a relação de Nina com a mãe Erica (Barbara Hershey). A mãe de Nina é uma mulher solteira que havia sido bailarina em seu tempo, mas diz no filme que ela teve que desistir desse sonho para cuidar de sua filha. Erica trata a filha de maneira super protetora, vigia a filha em todas as ações e a trata como se ainda fosse criança. Ela vive seus sonhos frustrados através da filha, dessa maneira, cria um esquema coercitivo sobre a filha, de maneira que a filha se vê obrigada a se tornar uma bailarina famosa. O problema é que Nina por conta disso, se torna uma garota com baixa auto estima e muito ingênua, e que só emite comportamentos de fuga e esquiva.

O professor de Nina, Leroy (Vincent Cassel) se impressiona com Nina e considera que ela é perfeita para o papel de cisne branco, no entanto, inapta para o papel de cisne branco. Essa opinião muda quando Nina tenta convencer o professor de que ela poderia ser capaz de interpretar a rainha dos cisnes. Nessa cena, Leroy da um beijo forçado em Nina que o morde. O professor interpreta isso como acreditando que existe algo dentro de Nina que precisa ser despertador e se isso acontecesse ela seria perfeita para o papel de cisne negro. Dessa maneira ele resolve escolhe-la para ser a rainha dos cisnes. No entanto, ele mantém uma pressão muito grande sobre Nina, pois apesar de ele acreditar que esse lado mal de Nina existe, ele tende a não se apresentar. Por isso ele vai a extremos para tentar ensinar Nina como deveria ser feito, inclusive, “abusando” sexualmente dela durante uma dança.

Outro personagem importante no filme é Lily (Mila Kunis) que surge como rival de Nina ja que ela é uma das concorrentes (e inclusive substituta oficial de Nina) para o papel de rainha dos cisnes. Lily, ao contrário de Nina, é de inicio perfeita para o papel de cisne negro, em outras palavras, Lily seria o oposto, a nivel de personalidade, de Nina. Por conta disso, Nina resolve se relacionar com Lily no intuito de aprender um pouco sobre como se soltar.

Percebe-se em Nina uma personalidade submissa e de baixa auto estima. Em todo o filme ela está fazendo o que os outros a dizem para fazer. Isso se deve muito a sua mãe, que a obriga a ser uma bailaria de sucesso, ja que ela [Erica] não conseguiu. Essa mãe usa de técnicas bem perversas para manter o controle coercitivo sobre Nina. Um exemplo é na cena que Erica, ao saber do triunfo da filha que havia passado no teste para ser rainha dos cisnes, compra um bolo para comemorar. Nina ao ver o bolo e julga-lo muito grande, diz que não quer, que esta sem fome. Sua mãe, então, ameaça jogar o bolo fora, demonstrando uma atitude de pirraça, o que faz Nina recorrer de sua decisão e aceitar chupar um pouco do recheio do bolo do dedo de sua mãe. Demonstrando uma atitude de total submissão e inclusive infantil em relação à sua mãe. Outros aspectos podem ser facilmente percebidos no filme. A porta do quarto de Nina que não tem tranca, por exemplo, o que a priva de sua privacidade e liberdade. E a cena em que Erica obriga a filha a tirar a roupa para verificar as auto mutilações que Nina estava causando a si mesma, e em seguida, corta as unhas de dela, demonstrando a dependência dela à sua mãe.

Esse operante de Nina entra em conflito quando ela é obrigada a, pela primeira vez na vida, se impor. Nina é obrigada por seu professor a mostrar sua sensualidade, demonstrar atitude, enfim, a de fato tomar o controle da situação. Essa exigência se torna grave para Nina, pois ela, mesmo adquirindo essa característica mais independente, ainda era por coerção, ou seja, Nina só fazia aquilo por que ainda era obrigada a ser a melhor das melhores por sua mãe. Vemos ai uma clara atitude para o qual damos o nome de perfeccionismo. Trata-se da busca do perfeito em todas as atividades, de não se contentar com nota menor que 10, e de fato sofrer muito com ocasionais frustrações. O sofrimento de Nina é tão forte que ela começa a ter alucinações, tais como as cenas em que ela se auto mutila, ou que vê sósias em reflexos, e claro, no final, quando ela se mata.

O filme se passa na perspectiva de Nina, por conta disso, a interpretação do filme se faz aberta quando se trata das alucinações. No entanto, devemos entender que aquela realidade criada pela personagem, deve ser verificada por conta de simplesmente, ter sido aquilo que ela criou. Em outras palavras, se ela criou, é por que tem alguma função, e é essa função que devemos buscar. No caso de Nina, podemos ver a tentativa da fuga da realidade e de tentar atender as necessidades que os outros a impõem. Demos enfoque a necessidade de Nina de se soltar. Em uma parte do filme, Nina desobedece sua mãe e sai com Lily. As duas vão para uma boate onde Nina ingere álcool e drogas. Nesta parte do filme acontece cortes de cenas, ou seja, as cenas não ocorrem de maneira linear, representando o próprio estado de Nina, ou seja, desvelando sua incapacidade de dar continuidade a sua percepção no momento. Nessas cenas, percebemos que Nina transa com dois caras, e imagina beijando Lily no carro. Mais tarde, Nina ainda imagina trasando com Lily. Quando acorda, no entanto ela descobre que tudo aquilo foi imaginação, que na verdade, ela e Lily não tinham se beijado nem transado. Percebe-se então a situação que a personagem se colocar para tentar se libertar de sua personalidade inocente, ou seja, tentando liberar sua sexualidade.

No final do filme, Nina está em seu estágio de maior sofrimento. E diante da pressão de apresentar aquela peça de maneira perfeita, ela se volta contra todos que poderiam atrapalha-la. Entram nesta lista, Erica e Lily. Após o início da peça Nina comete um erro como cisne branco e desequilibra caindo, o que demonstra a incapacidade da personagem de sustentar as duas esferas conflitantes no mesmo contexto. Após esta primeira parte, Nina volta ao seu camarim e neste momento demonstra extremo do sofrimento. Ela imagina matando Lily com um pedaço de espelho que havia se quebrado. Neste momento, Nina assume de fato o papel de cisne negro, pois abandona sua ingenuidade e esconde o corpo. A sua dança consegue ainda mais mostrar esse ápice de Nina. Esta é a cena mais bela do filme, em que Nina inclusive imagina se transformando em um cisne negro. Ela então, ao voltar ao seu camarim, percebe que o corpo de Lily não esta mais em seu camarim, e que na verdade ela está bem. E é neste momento também que Nina percebe que na verdade, ela tinha machucado a ela mesma com o pedaço de espelho. O filme termina com Nina encerrando sua apresentação junto com sua vida, numa cena bela e chocante ao mesmo tempo, onde o público aplaude bravamente a atuação de Nina sem saber o que havia acontecido, e ao mesmo tempo, as bailarinas companheiras dela vão percebendo que ela está ferida e que está morrendo. Nina morre sorrindo, satisfeita por ter cumprido sua tarefa

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