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Archive for janeiro \22\UTC 2012

Este livro que acabo de devorar, deveria ter o seguinte aviso antes da história começar: Os personagens aqui presentes podem causar depressão severa.

“A hora da estrela”, somente um dos treze títulos deste romance, é último publicado em vida da autora, em 1977. Seguindo uma narrativa que continua moderna, o livro não tem divisão em capítulos, é dinâmico, brutal e reflexivo. Aqui encontramos pessoas miseráveis, feias e sem (auto)conhecimento. Vemos a incapacidade de ascensão social, o vazio e a solidão. Nas palavras de Lispector: é sobre uma inocência pisada, de uma miséria anônima. Ou como ela define liricamente no meio do romance, é sobre parafusos dispensáveis numa sociedade técnica.

A miserável central da história é Macabéa, uma alagoana órfã que foi morar no Rio de Janeiro. Outro miserável é o narrador, pois na verdade “A hora da estrela” é uma metanarrativa. O romance se desenvolve a medida que Rodrigo S. M., escritor alter-ego de Clarice, arranca a história da nordestina de suas tripas enquanto espera a morte.

Macabéa simplesmente me deu agonia. Seu passado é lamentável e seu futuro mais ainda. Após perder seus pais, é criada pela sua única parente, uma tia beata e violenta. Rodrigo escreve que Macabéa só virou mulher tardiamente pois até em capim vagabundo há desejo de sol. É descrita como uma cachorra vadia, que só vive por viver, sem conhecimento de si mesmo. É passiva a ponto de irritar, magra, doente e totalmente perdida. Seu rápido namoro com o também nordestino Olímpico é o inferno que qualquer casal pode imaginar: O homem humilha Macabéa sendo grosso e punitivo; Macabéa é totalmente sem sal, como não podia ser diferente, e apesar da garota pensar que Olímpico lhe trará ascensão na vida, um não tem nada a oferecer ao outro.

Uma vez Olímpico levou-a ao zoológico e ela se mijou toda.

Mas continuei lendo e adorando, e as desgraças só aumentam. A história da nordestina é interrompida a todo momento pelos devaneios e observações de Rodrigo. Na verdade, ele nos enrola bastante no começo.

O climax é o encontro da moça com a cartomante, cena baseada na própria experiencia de Lispector. Após a cartomante contar sobre seus bons tempos de prostituta, ela ergue o véu que cobria o passado da própria Macabéa, percebendo então que viveu tempos infelizes. Mas a cartomante lhe enche de esperanças ao prever que um gringo louro irá entrar em sua vida. Macabéa vai para a rua, observa o crepúsculo e dá um passo fora da calçada… O destino se cumpre e chega a hora da estrela.

É a primeira obra de Lispector que tive o prazer de ler. Já li na internet que Clarice Lispector é o Kafka latino-americano, ou a nossa Virginia Woolf. Sou cético quanto comparações desse tipo e também nunca li nada da Woolf até hoje, mas “A hora da estrela” me atraiu imensamente.

Aliás, não entendo porque há tantos resumos desse romance (que é tão curto como um conto) na internet. Dedica-se uma tarde, duas se for preciso, só para ler o livro que será muito recompensador. A beleza e a graça do estilo está no livro, não nas páginas da web. Então, se você veio parar aqui buscando um resumo junto com uma análise quadradinha para fazer uma prova, vá ler o livro, meu caro.

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POST EM NOVO BLOG! NOVO RESENHAR EXPERIENTIA http://novoresenharexperientia.wordpress.com/tag/mark-twain/

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Uma recomendação rápida desse filme muito bom, pois a preguiça e a distância temporal me impedem de escrever uma crítica extensa. Não que o filme não mereça.

Depois de assistir Vanilla Sky (2001), filme mindfuck (foder, confundir a mente) que mistura drama, ficção científica, aventura erótica, distorção das percepções e da realidade, suspense e outras coisas (ou  como é descrito no Wikipedia: “uma história de amor e uma luta pela alma”), jurei que ele fosse baseado em algum livro de Philip K. Dick, escritor americano das mais estranhas ficções científicas, mas na verdade Vanilla Sky é uma refilmagem de um filme de um filme espanhol, de 1997, chamado Abre los ojos, escrito por Alejandor Amenábar e Mateo Gil.

Indico esse filmes para quem gosta de ficção científica soft, ou seja, não focada em tecnologias e naves espaciais e explosões estelares, mas sim focada em aspectos mais humanos, sociais ou filosóficos. Vanllia Sky lida com temas como identidade pessoal, memórias, realidade e imortalidade. Quem gosta de Quero ser John Malkovich não pode deixar de assistir Vanilla Sky (se não gostar, meta a boca nos comentários). E outra coisa, tenho a impressão de que esse filme é meio que, como dizem, “ame ou odeie”, por ser radical em sua bizarrice no roteiro e no estilo.

No filme, Tom Cruise é David Aemes, um homem realizado, dono de um império editorial, jovem e bonito. Sua vida muda quando se apaixona à primeira vista por Sofia Serrano (Penélope Cruz). A repentina paixão desperta ciúmes em Cameron Diaz, vivendo a personagem Julie Giani, que está em um relacionamento puramente sexual com David. Em um ataque de ciúmes enquanto David e Julie estão no carro dela, Julie declara que ama-o mas joga o carro por cima de um viaduto. Julie morre e David tem seu rosto totalmente desfigurado.  David sobrevive, e depois do coma, quer desesperadamente reconquistar seu visual perdido e ficar com Sofia. A partir de então, o filme é um quebra cabeças que brinca com fantasias, identidades e memória. A história divide-se em antes e depois da cirurgia, e a atenção de quem assiste é indispensável para acompanhar a historia, já que se trata de um mindfuck e não segue uma linearidade.

Pode parecer uma história boba,  mas as revelações, reviravoltas e o toque  de ficção científica deixam o filme complexo e instigante. Geralmente fico com um pé atras quando se trata de filmes com reviravoltas demais, entretanto, o filme tem um desfecho satisfatório e fiel a todo o resto da história. Assistir uma segunda vez também não é uma má ideia.

Pessoalmente, não gosto do Tom Cruise, mas ao lado de Colateral e Nascido em 4 de Julho, Vanilla Sky mostra que ele é um bom ator.

Como diz nessa crítica do Omelete, Vanilla Sky manteve-se fiel ao original Abre los ojos, só modificando pequenos detalhes insignificantes para a história. Isso é uma das muitas provas de que os norte americanos tem tanta preguiça e tanto dinheiro sobrando que fazem um remake de filmes estrangeiros em vez de legenda-los.

Assisti esse filme há uns cinco ou seis meses, e hoje fiquei com vontade de escrever sobre ele ao escutar uma música que toca no filme, do Sigur Ros (a trilha sonora do filme chama atenção, tem boas músicas e é importante para a atmosfera da história). Segue a música:


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O animê japonês Túmulo dos Vagalumes (Hotaru no Haka, 1988), dirigido por Isao Takahata, é um drama anti-guerra indispensável para qualquer pessoa. É uma mistura perfeita de filme pacifista com drama que satisfez minha vontade de ver um filme de guerra.

Hotaru no Haka concentra-se na história de dois irmãos, Seita e Setsuko, que lutam para sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. O pai luta no mar defendendo o Japão, enquanto um ataque aéreo dos Aliados utilizando bombas incendiárias carboniza a mãe das duas crianças. Após o choque da realidade, Seita decide esconder a morte da mãe para sua irmã mais nova e a partir de então, torna-se um irmão-pai. Os irmãos tem a sorte de poderem morar com uma tia, mas com o avanço da guerra e a destruição cada vez maior das fábricas japonesas, a tia fica cada vez mais dura com eles e eventualmente os expulsa de casa. Durante esses período duro demais, os irmãos sobrevivem de saques ou trocando coisas, como os quimonos da mãe, por comida.

Depois de saírem da casa da tia, os irmãos encontram um abrigo contra bombas no mato e passam a morar lá. Mas as coisas desandam muito mais quando a comida começa a faltar e Setsuko fica gravemente doente. Sem revelar mais do filme, recomendo fortemente que descubram a metade final.

Focando-se no cotidiano e nas dificuldades da vida dos dois irmãos, Túmulo dos Vagalumes é um triste retrato da morte dos inocentes que a guerra provoca. Esse olhar micro do conflito bélico mostra a tamanha desgraça que as pessoas passam, a realidade que se transforma em estatísticas e é tida como inevitável e até esperada numa guerra. Lembrando que o filme só abarca a história de duas crianças em uma cidade japonesa. Imagina se pensarmos em todas as pessoas, de todos os cantos do mundo que morreram durante essa mesma guerra. Acredito ser bem este o ponto forte do filme: contar uma história simples, de somente dois inocentes japoneses, que me comoveu mais do que uma história clichê do Holocausto.

Além da tristeza que o filme carrega, há lugar para observarmos o forte vínculo entre os dois irmãos. É confortante e comovente ver a dedicação de Seita parar cuidar de sua irmãzinha. Apesar de tudo, Seita faz tudo que pode para encher o estômago de Setsuko e também chega a leva-la para a praia.

Foi realizado um remake live action para TV japonesa para a data de 60 anos após o término da Segunda Guerra Mundial.

Sem exagerar ou forçar, sem nem mesmo tocar na questão das duas bombas atômicas detonadas no país, Hotaru no Haka comove até o mais duro coração.

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Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.400 vezes em 2011. Se fosse um bonde, eram precisas 23 viagens para as transportar.

Em 2011 foram publicados 24 novos artigos, nada mal para um primeiro ano! Foram carregadas 155 imagens, ocupando um total de 12mb. É cerca de 3 imagens por semana.

O dia com mais tráfego foi 14 de agosto, com35 visitas. O artigo mais popular nesse dia foi O marketing da loucura – documentário.

Alguns visitantes vieram à procura, sobretudo por fascismo italiano,fascismomementoasas do desejo, epropaganda prozac

Os sites que mais o mencionaram em 2011 foram:

Estes são os artigos de Resenhar Experientia mais visitados em 2011

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