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Archive for março \28\UTC 2013

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Em uma dia da semana passada acordei com aquela melodia misteriosa da abertura do Twin Peaks na minha cabeça. Como música quase sempre ajuda a estudar, resolvi colocar a soundtrack da série no youtube enquanto fazia um trabalho para faculdade. Porém, em vez de estudar, acabei sendo levado de volta ao mundo de Cooper e Harry, criado por David Lynch e Mark Frost. Comecei a lembrar de um monte de detalhes bacanas, como a mulher meio louca que anda com um tronco de árvore, o anão que fala ao contrário, os sons misteriosos que preenchiam os episódios e várias outras coisas. Me deu vontade de comprar aquele box da série completa a assistir tudo de novo. Twin Peaks é genial, uma das minhas séries favoritas.

Aí lembrei que tinha inaugurado o Resenhar Experientia com um post sobre a primeira temporada, que escrevi quando tinha acabado de assisti-la. Quase 1 ano depois, com essas impressões que a trilha sonora da série despertou, resolvi escrever sobre a segunda temporada. Mas é uma escrita mais ao acaso, levada pelas minhas lembranças e sentimentos, sem pesquisa e pretensão de analisar ou fazer uma resenha extensa sobre a série.

Apesar de comentar sobre algumas coisas de maneira vaga, não soltarei nenhum spoiler aqui. Então, prossiga tranquilo e sem medo de ter sua experiência com a série estragada. Para aqueles infelizes desinformados, Twin Peaks é uma série de televisão norte-americana criada por Frost e Lynch, como havia dito acima. A série segue a investigação do agente do FBI Dale Cooper sobre o assassinato da popular estudante colegial Laura Palmer. Mas isso é somente o pontapé inicial para dar vida a pequena cidade surreal, mística e engraçada que leva o nome da série. Reduzir a série ao drama policial seria destruí-la. Durante os episódios há um balanço entre comédia, drama, terror e romance. Além disso, a segunda temporada transcende o gênero policial, levando os elementos apresentados na primeira temporada à um nível mais elaborado de terror/misticismo e surrealismo (é David Lynch). Como está na wikipedia: Twin Peaks se tornou um dos programas mais assistidos da década de 1990, um sucesso de crítica tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Refletindo seus fãs dedicados, a série se tornou parte da cultura popular, sendo referenciada em outras séries de televisão, comerciais, quadrinhos, jogos eletrônicos, filmes e músicas.

Primeiramente, temos que mencionar as músicas. Não dá para imaginar a série sem as músicas de Angelo Badalamenti e Julee Cruise. O jazz perturbador, Falling e  World Spins são tão importantes como os personagens, oferecendo uma atmosfera perfeita. Outra coisa bem legal da série é a maneira como os personagens, a cidade e os eventos se relacionam. O roteiro e a dinâmica de Twin Peaks é foda, acho que nunca vi uma série ou filme que carrega suas tramas e personagens com tamanha sincronia.

Falando em personagens, a série tem um cuidado especial na criação destes. Eles são bem construídos, com um passado, segredos, capazes de mudarem conforme a série anda. Ou seja, são conduzidos de uma forma coerente e humana. Não entro em detalhes aqui, mas basta dizer que há certa sensibilidade e carisma rodeando os atores. Por exemplo, há um trecho em que Donna, uma das amigas de Laura Palmer, está conversando com Harold, que supostamente estaria com o diário de Laura (que contém informações importantes sobre a vida da garota e seu assassinato). Donna desenvolve uma atração pelo cara, apesar dele ser um pouco recluso e suspeito, então ele fala: “Eu cresci em Boston. Bem, a verdade é que cresci no meio de livros.” Harold desvia o olhar meio envergonhado. Então Donna se desencosta da poltrona, inclina-se um pouco em direção ao rosto dele e fala: “Existem coisas que os livros não podem te dar.” Harold responde: “Há coisas que não se consegue em lugar nenhum. Mas sonhamos que podemos achar em outras pessoas.”

Bom, agora sobre o final. E NÃO direi O QUE ACONTECE.

No post sobre a primeira temporada de Twin Peaks escrevi que sabia que a terceira temporada da série tinha sido cancelada, mas que estava torcendo para um fim decente para a história. Duplo engano meu. O final da série é algo chocante e leva a série a um novo patamar de insanidade, além de deixar o cerne da trama de pernas para o ar. Então, Twin Peaks tem um fim aberto, não tem um final que descreveria como “decente”.  Aí que está meu segundo engano: o final de Twin Peaks é uma coisa meio de amor e ódio, é perfeito em sua imperfeição e inconclusão. As vezes eu penso como seria uma terceira temporada feita agora, tanto tempo depois daquelas duas pérolas, e me parece que seria uma porcaria. Acho que aquele não-final tem que continuar lá, decente em seu lugar. Alias, é esse final que deixou todo mundo doido de curiosidade e raivoso por não saber o que vai acontecer que ajudou a consagrar a série.

No post anterior sobre The Prisoner, coloquei uma esquema que ilustra a influência que a série britânica causou na cultura ocidental, e lá está Twin Peaks. Mark Frost declarou que é fã de The Prisoner e quando assistiu a série quando criança, sua cabeça explodiu em vários pedaços. Bom, ele conseguiu realizar o feito com outra geração. Sabendo dessa influência entre as duas séries, é impossível não comparar o final de The Prisoner com a natureza do final de Twin Peaks. É um visual e uma narrativa insana, surreal. Os dois finais me deixaram perturbados, entretanto, isso não impediu minha afeição pelas duas séries.

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