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Albert Camus: biografia

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia ainda colônia francesa, no dia 7 de Novembro de 1913.  Seu pai morreu na Primeira Guerra Mundial,  na batalha do Marne, um ano após o nascimento do filho. Camus, seu irmão mais velho, Lucien, e sua mãe foram pra Argel. Lá ele cresceu entre a pobreza do bairro proletário Belcourt, lugar que proporcionava a atmosfera intelectual para que Camus se interessasse por filosofia e pela política.

Seu primeiro livro de ensaios, “O avesso e o direito”, descreve o ambiente físico do bairro e do apartamento de dois cômodos que morava com a mãe, o irmão, a avó materna e seu tio paralítico. Os membros da família são retradados no livro também. Outra coletânea de ensaios, “Núpcias”, contém meditações líricas sobre o interior de Argélia e contrasta a frágil mortalidade do ser humano com a durabilidade do mundo físico.

Era um garoto muito talentoso, e ganhou uma bolsa escolar para o liceu com a ajuda do professor Louis Germain em 1923. Camus gostava muito de futebol e jogava bem como goleiro, mas a tuberculose impediu seu sonho de jogar profissionalmente.

Após o primeiro ataque de tuberculose, Camus passou um ano morando com seu tio, Gustave Acault, homem conhecido por ser culto e autodidata. Foi com Acault que ele desenvolveu seu amor por literatura e conheceu as ideias anarquistas.O professor de filosofia do liceu, Jean Grenier, também foi uma figura influente para Camus. Grenier introduziu o jovem ao pensamento de Bergson e Nietzsche. Após um tempo, o professor foi lecionar na Universidade de Argélia, na qual Camus ingressou em 1933. Neste período, Camus vivia sozinho e se mantinha com vários empregos.

Com uma paixão enorme pelo teatro, Camus escrevia, adaptava e trabalhava para o Thétre du Travail (Teatro dos trabalhadores), dando oportunidades para a comunidade proletária assistir grandes peças. Ele manteve seu interesse por teatro até a morte.

Grenier também influenciou Camus a participar do partido comunista da Argélia em 1934. Greiner acreditava que o melhor que Camus poderia fazer com sua simpatia pelo socialismo era se juntar com intelectuais já trabalhando para o partido. Camus nunca se denominou de marxista e não apoiava Lênin ou Stalin. Defendia o nativismo argelino, motivo pelo qual foi expulso do partido em 1935.

Camus conheceu Simone Hie em 1932. Hie era uma atriz boêmia considerada bonita, mas tinha problemas com vício em morfina desde quando tinha quatorze anos. Em 1935, Camus e Hie casam-se. Entretanto, Hie envergonhava Camus em público devido seus problemas e o traia dormindo com seus amigos. Camus resolve divorciar-se dela em 1940.

Em 1938, Camus trabalhou como jornalista no jornal de esquerda recém-inaugurado, Alger Republicain. Ele era responsável por cobrir as notícias da Argélia. O emprego no jornal proporcionou duas coisas além do salário: uma plataforma política, já que Camus tinha sido expulso do partido comunista; e a oportunidade de refinar sua escrita e escrever resenhas sobre literatura, como as obras de Jean Paul Sartre. Camus também escreveu uma série de artigos, chegando a escrever onze sobre a fome em Cabília, região norte da Argélia, área montanhosa banhada pelo Mediterrâneo.

Seus escritos políticos e sociais assinalavam muitas das injustiças que previam a Guerra da Argélia (1954 – 1962), conflito pela independência.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, O Alger Republicain teve que ser fechado. Depois de uma fracassada tentativa de erguer outro jornal no lugar, o Le Soir Republicain, Camus se muda para Paris em 1940. Em Paris, trabalhou em um jornal como datilógrafo, ofício que Camus não gostava. Como ele não conhecia ninguém na capital francesa e não se interessava pelos assuntos do jornal em que trabalhava, escândalos ou crimes, Camus ficou deprimido.

Em 1940, casa-se pela segunda vez com Francine Faure.

Na França, Camus encontrou tempo para dedicar-se à escrita. Em julho de 1942 publica “O estrangeiro” e em outubro publica “O mito de Sísifo”, obras que deixaram Camus famoso dentro dos círculos literários franceses. Em 1944, Camus escreve para Combat, a revista underground da resistência francesa. Depois que a França foi libertada do domínio nazista, Camus continuou escrevendo para a revista e publicou sua peça de teatro “O mal entendido”, ainda em 1944.

Em 1945 Camus encontra-se pela primeira vez com Jean Paul Sartre. Esse ano também testemunhou o nascimento de seus filhos gêmeos, Jean e Catherine.

Camus foi bem recebido nos Estados Unidos em um ciclo de palestras em 1946, sendo que no ano seguinte seria publicada o Best-seller de sua carreira, o romance “A peste”. No próximo ano, 1948, publicaria a peça de teatro “Estado de sítio”.

Camus, já um famoso escritor de muito respeito, enfrenta fortes ataques de tuberculose no período de 1949 a 1951. Além das dores físicas, Sartre critica “O homem revoltado”, obra de Camus publicada em 1951, causando grande tristeza no autor pela dura crítica feita pelo amigo. Camus entrou em depressão e cortou a amizade com Sartre em 1952.

Em 1956 ele publica “A queda” como uma reação ao fracasso d`“O Homem revoltado”. Apesar de o romance ser bem recebido por Sartre, dizendo que o “velho Camus está de volta”, os dois nunca mais fizeram as pazes. No ano seguinte, Camus recebe o premio Nobel de Literatura e realiza um discurso de agradecimento para Louis Germain, o professor do liceu.

Em um acidente de carro ocorrido em 4 de janeiro de 1960, Camus perde sua vida. Seu romance inacabado, “O último homem”, é encontrado em sua maleta, em meio aos destroços. A obra foi publicada postumamente em 1995.

Albert Camus, ensaísta, romancista e teórico político, foi considerado o porta voz da geração pós-segunda guerra mundial, não somente na França, mas no mundo inteiro. Seus escritos, sobre o isolamento do homem em um universo desconhecido, o estranhamento do indivíduo consigo mesmo, o problema do mal, e a fatalidade da morte, refletem acuradamente o espírito da desilusão intelectual após a Segunda Guerra Mundial.  Assim como Sartre, ele é lembrado por seus romances existenciais. Apesar de reconhecer o niilismo de seus contemporâneos, Camus acreditava na importância de defender valores como a verdade e a justiça. Em seus últimos trabalhos, Camus esboçou seu ideal de humanismo que rejeitava aspectos dogmáticos, como os presentes no cristianismo e no marxismo.

  • Obras de Albert Camus

1937 – O avesso e o direito (L’envers et l’endroit), ensaio.
1938 – Núpicias (Noces), antologia de ensaios.

1938 – Calígula (Caligula), peça de teatro.
1942 – O estrangeiro (L’Étranger), romance.
1942 – O mito de Sísifo (Le Mythe de Sisyphe), ensaio sobre o absurdo.
1944 – O mal entendido (La Malentendu), peça de teatro.
1947 – A peste (La Peste), romance.
1948 – Estado de sítio (L’Etat de siége), peça de teatro.
1950 – Os justos (Les Justes), peça de teatro.
1951 – O homem revoltado (L’Homme révolté), ensaio.

1954 – O verão (L`Été), ensaio.
1956 – A queda (La Chute), romance.
1957 – O exílio e o reino (L’exil et le royaume), contos.
1970 – A morte feliz (La Mort heureuse), publicado postumamente.
1995 – O primeiro homem (Le premier homme), romance inacabado publicado postumamente.

 Fontes:

ALBERT CAMUS BIOGRAPHY. Disponível em: < http://www.camus-society.com/ >. Acesso em: 06 nov. 2011.

BIOGRAPHY. Disponível em: <http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/literature/laureates/1957/camus-bio.html&gt;. Acesso em: 06 nov. 2011.

ALBERT CAMUS, BIOGRAPHY. Disponível em <http://www.biography.com/people/albert-camus-9236690&gt; Acesso em: 06 nov. 2011

 

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