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A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser é um livro do tcheco Milan Kundera, escrito em 1984. Colocando em poucas palavras, é uma história de amor e sexo, mas não se reduz a isso. Os personagens centrais do romance são dois homens e duas mulheres: Tomas, um médico influente que aprecia ter muitas amantes; Tereza, fotojornalista e mulher de Tomas; Sabina, pintora e amiga íntima de Tomas, se considera vivendo fora da sociedade e em constante fuga; e por último, Franz, professor universitário e amante de Sabina.

O romance inicia com a Primavera de Praga, quando o político reformista Alexander Dubcek foi derrubado do poder pela União Soviética. A partir de então, os personagens conviverão com as consequências da invasão russa e do terrorismo de estado. Apesar de não explicar o que ocorreu na Primavera de Praga, tudo o que influencia diretamente os personagens está claro no livro. O romance desenvolve-se mudando o foco de personagem a personagem, construindo assim uma narrativa não linear e dinâmica. Os capítulos contém reflexões sobre o cotidiano, os sentimentos e pensamentos de cada um, e principalmente, qual o papel do amor e do sexo na vida deles.

Os dois capítulos do pequeno léxico de palavras incompreendidas é um exemplo dessa flexibilidade narrativa e criatividade. Nessa pequena parte do livro, expressões como “mulher”, “o cemitério”, “força” e “a música” são utilizadas como ponto de partida para contar como algum dos personagens se relacionam com tal assunto. Por exemplo, em “Mulher”, ficamos sabendo como Sabina entende as mulheres e si mesma.

O autor é capaz de relacionar acontecimentos mínimos com assuntos filosóficos e psicológicos, dando profundidade a historia e aos personagens. Kundera faz uma grande incursão na vida íntima, brincando com símbolos e camadas. Gostei pra caramba.

Faz um tempo que queria ter lido esse livro, é um daqueles citados por gente esperta e que você imagina que será uma leitura árdua do cão, e por isso tem medo de ler. Mas não é árduo! Aos interessados, também tem o filme americano de 1988, dirigido por Philip Kaufman, mas fiquem sabendo que Kundera achou o filme ruim e distante de seu romance.

Esse post não é exatamente uma resenha por que não quis estragar a história analisando muito ou contando algum capítulo. Porém, essas são citações interessantes que achei valer a pena compartilhar, tanto pelo conteúdo e por exemplificar o estilo narrativo e filosófico do romance.

Tomas pensava: deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher).

Momentos de indecisão:

Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo ‘esboço’ não é a palavra certa porque um esboço é sempre o projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.

E sobre o título do livro:

O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sobre ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso docorpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.

* * * * *

O drama de uma vida pode sempre ser explicado pela metáfora do peso. Dizemos que temos um fardo sobre os ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou não. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. O que precisamente aconteceu com Sabina? Nada. Deixara um homem porque quis deixa-lo. Ele a perseguiria depois disso? Quis vingar-se? Não. Seu drama não era de peso, mas de leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.

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