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Posts Tagged ‘Filmes’

Uma recomendação rápida desse filme muito bom, pois a preguiça e a distância temporal me impedem de escrever uma crítica extensa. Não que o filme não mereça.

Depois de assistir Vanilla Sky (2001), filme mindfuck (foder, confundir a mente) que mistura drama, ficção científica, aventura erótica, distorção das percepções e da realidade, suspense e outras coisas (ou  como é descrito no Wikipedia: “uma história de amor e uma luta pela alma”), jurei que ele fosse baseado em algum livro de Philip K. Dick, escritor americano das mais estranhas ficções científicas, mas na verdade Vanilla Sky é uma refilmagem de um filme de um filme espanhol, de 1997, chamado Abre los ojos, escrito por Alejandor Amenábar e Mateo Gil.

Indico esse filmes para quem gosta de ficção científica soft, ou seja, não focada em tecnologias e naves espaciais e explosões estelares, mas sim focada em aspectos mais humanos, sociais ou filosóficos. Vanllia Sky lida com temas como identidade pessoal, memórias, realidade e imortalidade. Quem gosta de Quero ser John Malkovich não pode deixar de assistir Vanilla Sky (se não gostar, meta a boca nos comentários). E outra coisa, tenho a impressão de que esse filme é meio que, como dizem, “ame ou odeie”, por ser radical em sua bizarrice no roteiro e no estilo.

No filme, Tom Cruise é David Aemes, um homem realizado, dono de um império editorial, jovem e bonito. Sua vida muda quando se apaixona à primeira vista por Sofia Serrano (Penélope Cruz). A repentina paixão desperta ciúmes em Cameron Diaz, vivendo a personagem Julie Giani, que está em um relacionamento puramente sexual com David. Em um ataque de ciúmes enquanto David e Julie estão no carro dela, Julie declara que ama-o mas joga o carro por cima de um viaduto. Julie morre e David tem seu rosto totalmente desfigurado.  David sobrevive, e depois do coma, quer desesperadamente reconquistar seu visual perdido e ficar com Sofia. A partir de então, o filme é um quebra cabeças que brinca com fantasias, identidades e memória. A história divide-se em antes e depois da cirurgia, e a atenção de quem assiste é indispensável para acompanhar a historia, já que se trata de um mindfuck e não segue uma linearidade.

Pode parecer uma história boba,  mas as revelações, reviravoltas e o toque  de ficção científica deixam o filme complexo e instigante. Geralmente fico com um pé atras quando se trata de filmes com reviravoltas demais, entretanto, o filme tem um desfecho satisfatório e fiel a todo o resto da história. Assistir uma segunda vez também não é uma má ideia.

Pessoalmente, não gosto do Tom Cruise, mas ao lado de Colateral e Nascido em 4 de Julho, Vanilla Sky mostra que ele é um bom ator.

Como diz nessa crítica do Omelete, Vanilla Sky manteve-se fiel ao original Abre los ojos, só modificando pequenos detalhes insignificantes para a história. Isso é uma das muitas provas de que os norte americanos tem tanta preguiça e tanto dinheiro sobrando que fazem um remake de filmes estrangeiros em vez de legenda-los.

Assisti esse filme há uns cinco ou seis meses, e hoje fiquei com vontade de escrever sobre ele ao escutar uma música que toca no filme, do Sigur Ros (a trilha sonora do filme chama atenção, tem boas músicas e é importante para a atmosfera da história). Segue a música:


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Que o homem é o mestre da natureza é o caralho. Representada pelo macaco Cesar durante uma cena chave, a natureza recusa-se a ser tratada como bichinho doméstico.

Planeta dos Macacos – A origem (Rise of  The Planet of The Apes, 2011) mostra a natureza gritando “não!” ao homem, colocando-o no seu devido lugar. Esse prequel para o filme de 1968, o primeiro Planeta dos Macacos, se passa em São Francisco.

Em São Francisco, o experimento com um remédio contendo o vírus ALZ 112, destinado a terapia genética para a cura do Mal de Alzheimer, mostrou ótimos resultados com chimpanzés. Porém, após um desastre com uma das cobaias, Will Rodman (James Franco), cientista criador da droga, leva o filhote dela para casa meio contra gosto. Talvez o macaquinho seja uma boa companhia para seu pai Charles que sofre de Alzheimer (John Lithgow), que acaba batizando o macaquinho de Cesar. Passam-se 3 anos, Cesar cresce e apresenta um desenvolvimento cognitivo mais veloz que de um bebê humano. Ele aprende alguns sinais para se comunicar com Will e demonstra ter emoções. Cesar vive alegremente no sótão, onde tem brinquedos e uma janelinha para ver o mundo lá fora.

Em um momento, Charles com seu Alzheimer mais avançado devido uma rejeição no próprio corpo da droga 112, pensa que o Mustang estancionado na rua do vizinho é o dele e entra no carro para dirigir. Como é de se esperar, o velho bate o carro muitas vezes tentando sair do acostamento. O vizinho aparece e, sem considerar a doença de Charles o agride e chama a polícia. Enquanto isso, do sótão Cesar observa com fúria o vizinho cutucar Charles e resolve ir pra rua defender seu “avô”. O macaco, nesse momento mostrando sua capacidade agressiva, dá umas porradas no cara, o deixa assustado e quase arranca um dedo de sua mão. A polícia chega e Cesar é capturado para ser levado a um viveiro do governo parar símios em San Bruno.

Assim como a mãe de Cesar  foi morta na empresa tentando defender  seu bebê, Cesar é punido defender Charles. Se o ato de defesa da mãe macaco trouxe Cesar para Will, o ato de defesa de Cesar o tirou de Will para sempre.

Confinado no viveiro, Cesar experiencia uma verdadeira prisão. Sofre mal tratos por parte de um bastardinho que cuida dos animais, é agredido por Rocket, que entendi como o macaco alfa do local, sofre de solidão e com a péssima comida. Porém, encontra uma companhia a sua altura, um orangotango de circo que também sabe se comunicar por sinais. “A evolução torna-se revolução”, como está escrito no poster americano do filme, Cesar começa a planejar se revoltar com a ajuda dos seus companheiros de espécie. Aí começa a parte de ação (bem dirigidas, vale dizer) que imagino que muitos esperavam desde o começo do filme, quando os macacos destroem tudo. Mas não é bem assim. O fim do filme vai surpreender alguns e alegrar aqueles que gostariam de uma sequência para a origem.

Cesar, apesar de fazer referência ao fascismo com a conversa sobre os gravetos, quer a liberdade com o menor numero de baixas humanas possível. É evidente a inteligencia de Cesar durante os combates. Ele é estratégico como um verdadeiro romano, como é mostrado na batalha final do filme no meio da ponte Golden Gate.

O exército de macacos liderados por Cesar parece não buscar vingança generalizada, mas liberdade e respeito. Seu destino é chegar até a floresta de sequoias, não sair destruindo prédios. Certo, eles destruíram a Gen-Sys, mas foi um ataque válido para Cesar, já que é para lá que alguns dos seus companheiros chimpanzés foram levados para experimentos, e simbolizou uma revolta contra suas raízes humanas.

Considerei Planeta dos Macacos – A origem bom por alguns motivos que consegui pensar: A interpretação de Andy Serkis, quem faz os movimento e expressões de Cesar; a fotografia do filme e os movimentos de câmera, e por ser uma historia simples de ficção científica, mas bem contada. Sobre Serkis é vital dizer que Cesar consegue nos passar uma humanidade tremenda e assim, pode gerar empatia com quem assiste. Se você ficou triste ou torceu por Cesar, uma grande parte do mérito é de Serkis. Pessoalmente, achei um ótimo personagem com atuações dignas. Sobre a fotografia do filme, é só observar para ver a beleza. É um visual muito agradável e deixa a história ser contada com mais prazer.

E a ficção científica? Apesar dessa coisa de macacos dominarem o mundo existir no mínimo desde 68, com o primeiro filme, Rise of The Planet of The Apes consegue ser um filme muito melhor que o Planeta dos Macacos de Tim Burton e dar uma força nova para a saga. Mérito dos roteiristas. Dedicam o filme para contar a história sem pressa, mostrando as transformações e o crescimento de Cesar. E também podemos pensar em outras questões que se apresentam no roteiro as vezes de maneira sutil. Em que o homem se mete ao tentar vencer a velhice e a doença, como Will tentava? O filme levanta questões importantes para os cientistas. Qual é o limite para o controle humano sobre a natureza? Ainda é ético realizar experimentos com animais? Foi uma instituição humana que tornou Cesar num rebelde agressivo, transformando em um guerreiro por um batismo de punição. E os efeitos danosos causados nos humanos pela droga 113? Mostram o perigo do desenvolvimento científico ambicioso, a autodestruição humana.

É interessante também notar que macacos, parentes de um mesmo ancestral comum, tiram o homem do pódio. Talvez eles sejam animais racionais muito melhores que a gente. Só Bacon pra dizer que ainda somos os mestres da natureza.

Quando a briga  é entre a natureza e o homem, o filme é mais um aviso que quem sai nocauteado é a humanidade.

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Cisne Negro (2010)

Sinopse: O filme conta a história de Nina, uma jovem bailarina da Companhia novaiorquina de balé que sonha em crescer na carreira. Sua vida muda quando ela é escolhida para substituir Beth, que era a mais famosa bailarina dessa companhia e que estava se aposentando, no papel de Rainha dos cisnes da peça O lago dos Cisnes.

Mesmo quem não gosta de balé ficará impressionado com esse filme, muito por conta da capacidade de envolver o público que ele tem. Eu diria que essa capacidade deve-se em certa parte do diretor Darren Aronofsky, que neste filme demonstra a mesma genialidade e capacidade de chocar presente no seu outro filme “Requiem Para Um Sonho”. Deve-se também à edição e composição sonora do filme, que consegue situar o telespectador dentro do filme, onde se parece que o público está de fato assistindo a um recital de balé. E a atuação de Natalie Portman, que mais uma vez demonstrou todo o seu talento tendo sucesso em interpretar a personagem Nina de maneira memorável. Esta atuação inclusive lhe rendeu o Oscar de melhor atriz contra concorrentes de alto nível. Esta soma de ótimos trabalhos rendeu a Cisne Negro 5 indicações ao Oscar de 2011, entre eles o de melhor filme.

Spoiler: Nina é uma filha super protegida que ainda mora com a mãe, e vive sobre a constante vigília desta. Inclusive, chegando ao cúmulo de não ter privacidade nem no próprio quarto, já que este não tem tranca. Ela é a menina inocente e ingênua que é escolhida para interpretar a rainha dos cisnes na peça lago dos cisnes. Este papel pretende juntar os dois cisnes (branco e negro) em um só personagem. Isso exige de Nina a capacidade de atuar de duas maneiras opostas, de um lado a mulher inocente, delicada e ingênua, e de outro, a mulher sedutora, manipuladora e até agressiva. Esta exigência causa um esforço muito grande por parte de Nina que chega a ter alucinações por conta disso. Soma-se a isso o aparecimento de Lilly (Mila Kunis) que aparece como substituta de Nina para o papel de rainha dos cisnes, e acaba sendo uma rival que Nina deve vencer. Para piorar, Lilly corresponde em muito ao papel de cisne negro.

O primeiro ponto a ser tratado é a relação de Nina com a mãe Erica (Barbara Hershey). A mãe de Nina é uma mulher solteira que havia sido bailarina em seu tempo, mas diz no filme que ela teve que desistir desse sonho para cuidar de sua filha. Erica trata a filha de maneira super protetora, vigia a filha em todas as ações e a trata como se ainda fosse criança. Ela vive seus sonhos frustrados através da filha, dessa maneira, cria um esquema coercitivo sobre a filha, de maneira que a filha se vê obrigada a se tornar uma bailarina famosa. O problema é que Nina por conta disso, se torna uma garota com baixa auto estima e muito ingênua, e que só emite comportamentos de fuga e esquiva.

O professor de Nina, Leroy (Vincent Cassel) se impressiona com Nina e considera que ela é perfeita para o papel de cisne branco, no entanto, inapta para o papel de cisne branco. Essa opinião muda quando Nina tenta convencer o professor de que ela poderia ser capaz de interpretar a rainha dos cisnes. Nessa cena, Leroy da um beijo forçado em Nina que o morde. O professor interpreta isso como acreditando que existe algo dentro de Nina que precisa ser despertador e se isso acontecesse ela seria perfeita para o papel de cisne negro. Dessa maneira ele resolve escolhe-la para ser a rainha dos cisnes. No entanto, ele mantém uma pressão muito grande sobre Nina, pois apesar de ele acreditar que esse lado mal de Nina existe, ele tende a não se apresentar. Por isso ele vai a extremos para tentar ensinar Nina como deveria ser feito, inclusive, “abusando” sexualmente dela durante uma dança.

Outro personagem importante no filme é Lily (Mila Kunis) que surge como rival de Nina ja que ela é uma das concorrentes (e inclusive substituta oficial de Nina) para o papel de rainha dos cisnes. Lily, ao contrário de Nina, é de inicio perfeita para o papel de cisne negro, em outras palavras, Lily seria o oposto, a nivel de personalidade, de Nina. Por conta disso, Nina resolve se relacionar com Lily no intuito de aprender um pouco sobre como se soltar.

Percebe-se em Nina uma personalidade submissa e de baixa auto estima. Em todo o filme ela está fazendo o que os outros a dizem para fazer. Isso se deve muito a sua mãe, que a obriga a ser uma bailaria de sucesso, ja que ela [Erica] não conseguiu. Essa mãe usa de técnicas bem perversas para manter o controle coercitivo sobre Nina. Um exemplo é na cena que Erica, ao saber do triunfo da filha que havia passado no teste para ser rainha dos cisnes, compra um bolo para comemorar. Nina ao ver o bolo e julga-lo muito grande, diz que não quer, que esta sem fome. Sua mãe, então, ameaça jogar o bolo fora, demonstrando uma atitude de pirraça, o que faz Nina recorrer de sua decisão e aceitar chupar um pouco do recheio do bolo do dedo de sua mãe. Demonstrando uma atitude de total submissão e inclusive infantil em relação à sua mãe. Outros aspectos podem ser facilmente percebidos no filme. A porta do quarto de Nina que não tem tranca, por exemplo, o que a priva de sua privacidade e liberdade. E a cena em que Erica obriga a filha a tirar a roupa para verificar as auto mutilações que Nina estava causando a si mesma, e em seguida, corta as unhas de dela, demonstrando a dependência dela à sua mãe.

Esse operante de Nina entra em conflito quando ela é obrigada a, pela primeira vez na vida, se impor. Nina é obrigada por seu professor a mostrar sua sensualidade, demonstrar atitude, enfim, a de fato tomar o controle da situação. Essa exigência se torna grave para Nina, pois ela, mesmo adquirindo essa característica mais independente, ainda era por coerção, ou seja, Nina só fazia aquilo por que ainda era obrigada a ser a melhor das melhores por sua mãe. Vemos ai uma clara atitude para o qual damos o nome de perfeccionismo. Trata-se da busca do perfeito em todas as atividades, de não se contentar com nota menor que 10, e de fato sofrer muito com ocasionais frustrações. O sofrimento de Nina é tão forte que ela começa a ter alucinações, tais como as cenas em que ela se auto mutila, ou que vê sósias em reflexos, e claro, no final, quando ela se mata.

O filme se passa na perspectiva de Nina, por conta disso, a interpretação do filme se faz aberta quando se trata das alucinações. No entanto, devemos entender que aquela realidade criada pela personagem, deve ser verificada por conta de simplesmente, ter sido aquilo que ela criou. Em outras palavras, se ela criou, é por que tem alguma função, e é essa função que devemos buscar. No caso de Nina, podemos ver a tentativa da fuga da realidade e de tentar atender as necessidades que os outros a impõem. Demos enfoque a necessidade de Nina de se soltar. Em uma parte do filme, Nina desobedece sua mãe e sai com Lily. As duas vão para uma boate onde Nina ingere álcool e drogas. Nesta parte do filme acontece cortes de cenas, ou seja, as cenas não ocorrem de maneira linear, representando o próprio estado de Nina, ou seja, desvelando sua incapacidade de dar continuidade a sua percepção no momento. Nessas cenas, percebemos que Nina transa com dois caras, e imagina beijando Lily no carro. Mais tarde, Nina ainda imagina trasando com Lily. Quando acorda, no entanto ela descobre que tudo aquilo foi imaginação, que na verdade, ela e Lily não tinham se beijado nem transado. Percebe-se então a situação que a personagem se colocar para tentar se libertar de sua personalidade inocente, ou seja, tentando liberar sua sexualidade.

No final do filme, Nina está em seu estágio de maior sofrimento. E diante da pressão de apresentar aquela peça de maneira perfeita, ela se volta contra todos que poderiam atrapalha-la. Entram nesta lista, Erica e Lily. Após o início da peça Nina comete um erro como cisne branco e desequilibra caindo, o que demonstra a incapacidade da personagem de sustentar as duas esferas conflitantes no mesmo contexto. Após esta primeira parte, Nina volta ao seu camarim e neste momento demonstra extremo do sofrimento. Ela imagina matando Lily com um pedaço de espelho que havia se quebrado. Neste momento, Nina assume de fato o papel de cisne negro, pois abandona sua ingenuidade e esconde o corpo. A sua dança consegue ainda mais mostrar esse ápice de Nina. Esta é a cena mais bela do filme, em que Nina inclusive imagina se transformando em um cisne negro. Ela então, ao voltar ao seu camarim, percebe que o corpo de Lily não esta mais em seu camarim, e que na verdade ela está bem. E é neste momento também que Nina percebe que na verdade, ela tinha machucado a ela mesma com o pedaço de espelho. O filme termina com Nina encerrando sua apresentação junto com sua vida, numa cena bela e chocante ao mesmo tempo, onde o público aplaude bravamente a atuação de Nina sem saber o que havia acontecido, e ao mesmo tempo, as bailarinas companheiras dela vão percebendo que ela está ferida e que está morrendo. Nina morre sorrindo, satisfeita por ter cumprido sua tarefa

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 Aproveitando que o Fábio aproveitou o trabalho de Psicologia Social para fazer uma resenha de um livro, vou aproveitar também. Só que com uma diferença, falarei do filme correspondente ao livro.

Grapes of Warth (As Vinhas da Ira) é um filme de 1940 baseado no livro de mesmo nome lançado em 1939 por John Steinbeck. O filme foi dirigido por John Ford e estrelado por Henry Fonda. É uma bela obra do cinema e de fato representa um clássico de Hollywood.

O filme conta a história da família Joad que são pequenos agricultores do estado de Oklahoma. Por conta de dois eventos principais, que citarei mais adiante, está e outras famílias são obrigadas a deixarem suas terras e tentarem a sorte no estado da Califórnia. Será feito primeiro uma contextualização histórica do filme para melhor explicação deste. Serão abordados dois eventos principais para contextualizar o filme, o primeiro será a grande depressão de 1929 e o segundo o desastre geográfico conhecido como Dust Bowl.

Em 1929 ocorreu nos EUA o crack da bolsa de Nova York. Foi considerada uma das maiores crises econômicas e teve consequências graves em diversos países no mundo. O evento ocorreu por conta da superprodução de mercadorias e causou a falência de milhares de empresas, a perda de milhares de empregos, o despejo de boa parte da população na zona de miséria. Os EUA passou por um período de recessão que durou todo os anos de 1930 e a crise só foi completamente superada após a segunda guerra mundial (1945). A crise foi causada por uma superprodução. Após a primeira guerra mundial os países da Europa estavam devastados e os EUA exportavam grandes quantidades de produtos industrializados e alimentos para estes países. Isso causou um crescimento fantástico na economia americana, o que levou um número cada vez maior de pessoas a investirem na bolsa de valores. No entanto, com a crescente recuperação dos países europeus a importação de produtos começou a cair, mas a produção de mercadoria nos EUA ainda era alta. Isso causou uma queda nos preços que levou várias indústrias a falência e aumento na taxa de desemprego. O processo culminou no dia 24 de outubro de 1929, dia conhecido como a quinta feira negra. A crise começou a ser superada em 1933 quando Roosevelt implantou uma serie de medidas chamadas de New Deal. Essas medidas visavam a produção de empregos através da construção de escolas, hospitais, hidroelétricas, represas, etc. Além disso, diversas agências para ajudar a população foram criados, sendo o mais importante deles o “Federal Agency Relief Administration”.

            O segundo evento importante para contextualizar o filme chama-se Dust Bowl. A tradução deste termo significaria algo próximo de bola de areia. Trata-se da crise climática pelo qual passou a região centro-leste do EUA nos anos de 1930. Esse evento consistiu numa grande tempestade de poeira que durou quase uma década e causou grandes estragos nas plantações nestes períodos, além de trazer graves doenças respiratórias para os habitantes dessas regiões. Essa crise foi causada pelo uso indiscriminado de terra. Trata-se da combinação de uma seca severa combinada com o uso indiscriminado da terra para cultivo sem o uso de técnicas para prevenir a erosão. Este evento ajudou a piorar a situação dos agricultores da região central dos EUA (inclusive os do estado de Oklahoma que são tratados pelo filme). Por conta dessa crise, milhares de quilômetros de terras tornaram-se inúteis para plantio, e milhares de famílias tiveram que abandonar suas terras. Alguns decidiram migrar para outros estados, entre eles Califórnia, estimulados pela ilusória propaganda de emprego e se tornaram migrantes em busca de trabalho.

“As Vinhas da Ira” pode ser contextualizados nestes dois eventos. Os Joad’s é uma família de agricultores de Oklahoma que arrendaram uma terra por gerações, no entanto, por conta da crise de 1929 e pelo “Dust Bowl” se veem obrigados a deixar suas terras, assim como outras famílias na região. Acontece que os verdadeiros donos das terras decidiram que não compensava mais manter o modelo tradicional de arrendamento, e decidiram passar a usar a maquinaria pesada e as novas técnicas trazidas pela ciência para cultivar a terra. Estas famílias, inclusive os Joad’s, são estimuladas a migrarem para o estado da Califórnia devido às propagandas feitas pelos donos das fazendas divulgando a necessidade de trabalhadores neste estado. Chegando lá, descobrem que na verdade, estas propagandas eram falsas, e para sobreviver eram obrigados a trabalhar em condições desumanas para conseguir sobreviver. O regime de trabalho se assemelhava muito a um escravista, já que o salário que os trabalhadores recebiam não era suficiente nem para comer.

Os Joad’s eram agricultores que cuidaram e cultivaram por gerações suas terras. No entanto, estas terras não era deles, e por conta disso, quando a crise chega eles são obrigados a deixa-las. Percebe-se então o desespero, angústia e tristeza causadas pela perca de algo que dava significação a suas vidas. Percebe-se que esses agricultores, ao abandonar sua terra perdem sua narrativa de vida, pois agora não conseguem mais compreender o mundo da maneira como sempre fizeram. Suas identidades também são perdidas, pois todas as histórias que regiam suas vidas estavam ligadas àquelas terras. A história de seus antepassados que viveram naquela terra passa a ser esquecida, ou pelo menos perdida, pois as próximas gerações não conseguirão mais conceber as histórias que lhes serão contados. Dessa maneira, a perda daquela terra tem um impacto muito grande na vida daqueles agricultores, de maneira que se torna muito difícil que encontrem uma significação equivalente em outro lugar. Em resumo pode-se dizer que os agricultores se viram sem um ponto fixo para se apoiar, para apoiar suas identidades, ideias, conceitos, pensamentos, pois, tudo aquilo que eles sabiam agora não vale de nada.

Ao chegar à Califórnia os Joad’s são obrigados a ficarem em acampamentos fora da cidade. Neste lugar estavam outros imigrantes que já estavam lá, alguns há mais ou menos tempo. De qualquer maneira, percebe-se nesse acampamento a exclusão, pois estes imigrantes foram obrigados a ficarem às margens da cidade, na periferia. Uma vez lá, eles eram esquecidos e não representavam mais problemas aos ricos e ao governo. Era uma terra sem leis e sem e sem presença do estado. Se pudermos fazer uma analogia, poderíamos considerar que as favelas no Brasil correspondem perfeitamente a estes acampamentos, pois se tratam de barracos mal construídos, ou construídos provisoriamente somente, por cidadãos que sempre estiveram à margem da sociedade e que são jogados lá e esquecidos. Podemos dizer ainda que este povo somente é lembrado quando começa a causar problemas para o resto da sociedade, com a violência, por exemplo. Dessa maneira a polícia, e somente ela, é chamada para reprimir a população revoltada, sendo que uma vez reprimida a violência o lugar e o povo é novamente esquecido pelo estado de maneira que só será lembrado de novo se causar mais problemas. Os ricos e poderosos também esquecem e ignoram essa população, e só lembram-se dela, quando encontram alguma maneira de explora-la, contando normalmente com a ajuda do estado para isso. Pode-se dizer então que o povo desses acampamentos vive a margem da sociedade uma vez que o estado não chega a eles. São simplesmente abandonados lá, entregue a própria sorte para sobreviverem.

A família dos Joad’s, assim como outros imigrantes, é vítima de preconceito na Califórnia. A população local vê os imigrantes como um empecilho para o desenvolvimento da população. Discursos comuns são o de que os imigrantes roubam os trabalhos da população local, são os grandes responsáveis pela violência, e são responsáveis por infectar a moral e os bons valores da população local. Forma-se então a xenofobia contra o imigrante agricultor dos estados atingidos pela seca e tempestades de areia. Discursos desse tipo são comuns em diversos momentos da história e em diversos países do mundo, sendo ainda muito frequente na contemporaneidade. Um exemplo é o preconceito que o imigrante, principalmente latinos e mexicanos, sofre nos EUA. Esse país tem uma política extremamente aversiva contra imigrantes, devido às crenças de que estes são os verdadeiros culpados pela crise econômica, falta de empregos, tráfico de drogas e violência. Isso é causado pela desinformação em massa por qual passa o povo americano e de diversos outros países no mundo. Normalmente as estatísticas de violência são vinculadas aos latinos, americanos e negros nos EUA, o que poderia ser motivo para acreditar que essas etnias realmente são mais violentas, caso não se aprofundasse a investigação e se descobrisse que estas etnias são normalmente as mais entregues à miséria, com menor auxílio do estado e menos representada por seus governos. Outro ponto importante é que a falta de empregos nos EUA devem-se a crise econômica que o país passa atualmente, e não tem nada a ver com imigrantes. Inclusive, normalmente imigrantes são obrigados a procurar os empregos mais baixos da sociedade, tais como empregadas, atendentes de lojas, cozinheiros, garçons, etc.

Ao longo da história é comum a vinculação de culpa com grupos que normalmente representam a minoria em tempos de crise. Na Alemanha pós-primeira guerra os culpados pela crise econômica gravíssima pela qual o país passava foram os judeus. O que posteriormente levou a construção de estereótipos desse povo que justificava a eliminação deles. Este evento começou pouco antes da segunda guerra e só foi terminar com o fim desta guerra com a queda da Alemanha nazista, e ficou conhecido como holocausto, que causou a morte de mais de seis milhões de judeus. Isso só ajuda a provar que normalmente são formados bodes expiatórios para levarem a culpa pelos problemas do país/grupo.

Nos EUA dos anos de 1930 a situação da população era desesperadora. Devido à crise de as taxas de desemprego eram altíssimas e quase toda a população havia perdido tudo. Combina-se a isso a crise geográfica chamada “Dust Bowl” e a situação do país só piora. Por conta disso a imigração para a Califórnia é vista como prejudicial para o povo local. Este logo elegem os imigrantes como responsáveis por suas situações de miséria e começam a agir agressivamente contra os imigrantes. Eles julgam que os imigrantes estavam tomando seus empregos e querem eles fora. A situação se agrava quando próprios representantes da lei aderem a esse pensamento e também desejam que os imigrantes sumam da Califórnia.

No filme percebe-se o capitalismo na sua forma mais pura, e coincidentemente na sua forma mais desigual, predatória e desumana. A crise econômica, a falta de empregos, a distribuição de renda precária são fatores que ajuda a jogar a população contra ela mesma, fomentando a violência, preconceito, concorrência e disputas. A investida de bancos para tomarem as terras dos pequenos agricultores e usa-la para lucrar, combinada com a falta da participação do estado na economia, deixando as camadas mais pobres da população entregue a própria sorte, a exploração que os fazendeiros empreendiam na população visando somente o lucro. Todos estes são fatores observáveis no filme e que ajudam a considera-lo um filme extremamente atual, pois, fornece um panorama que facilmente é visto nos dias atuais. Por conta disso, o filme e a correlação dele com outros estudos é de suma importância já que ajuda a pensarmos em atitudes que possam mudar esse panorama atual.

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Mr. Nobody (2009)

NOVO POST SOBRE O FILME NO BLOG NOVO! VISITEM

 http://novoresenharexperientia.wordpress.com/2014/05/09/mr-nobody-2009-projetos-e-caos/

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POST NO NOVO BLOG! VISITEM E COMENTEM http://novoresenharexperientia.wordpress.com/2014/05/13/a-doutrina-do-choque-documentario-2009/

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Win Wenders conseguiu. Realizou uma sequência para sua obra-prima sem perder a mão ou cair em seduções baratas de um blockbuster para agradar a todos. Wenders manteve a interessante história sobre anjos e homens regada com diálogos e situações filosóficas; deu maior complexidade ao roteiro, criou novos personagens e fez seu segundo anjo, Cassiel, tornar-se humano.

Apesar de ter gostado um pouco mais de Asas do desejo por ser mais “sólido” e mais direto, sua sequência expande as possibilidades e dimensões da ficção criada por Wenders e é filme obrigatório para quem gostou do primeiro.

In weiter Ferne, so nah! (1993) traz de volta Otto Sanders como Cassiel,  Bruno Ganz interpretando Dammiel, Peter Falk, o ator e desenhista, e apresenta dois novos papeis principais: Natassja Kinski como um novo anjo, Raphaela, e Willem Dafoe como um ser traiçoeiro entre os dois mundos. Lou Reed e Mikhail Gorbachev, fã dos filmes do diretor, fazem pontas no filme. Gorbachev, sendo ele mesmo, aparece escrevendo um discurso no começo do filme. Vale dizer que esse filme não pretende continuar a história de Dammiel e Marion, mas sim narrar a aventura de Cassiel humanizado, num drama que intuitivamente me remeteu à uma mistura de  Oh lucky man! (1973, de Lindsay Anderson) com Neil Gaiman.

Com cerca de 140 minutos, Tão longe, tão perto! tem em si elementos para diversas discussões. Há crítica que faz uma reflexão sobre o olhar, sobre a desorientação e estranheza que a queda do muro de Berlim trouxe para os próprios alemães e uma crítica ao consumismo. Nesse post do Resenhar Experientia, eu quero abordar principalmente um tema que chamou-me a atenção desde o primeiro filme e foi aprofundado neste. A intervenção e a bondade.

É a  história de Cassiel, anjo cansado de não poder intervir e realmente ajudar os humanos, os seres mais  importantes para os anjos. Observando a Berlim unificada com sua amiga Raphaela, Cassiel confessa querer ultrapassar a linha divisória dos dois mundos. Ele acompanha a vida de Dammiel, que consegue senti-lo e compartilha com ele suas experiencias humanas. Dammiel é dono de uma pizzaria chamada Casa dell’angelo e se casou com Marion. Além de praticar as artes do circo, ela agora trabalha em um bar na Berlim ocidental, e os dois tem uma pequena filha. Ao presenciar a queda de uma menina de um prédio, Cassiel se vê no térreo, segurando a menina no colo, transformado em humano. No primeiro filme, Dammiel se transforma pelo amor, neste, Cassiel é transformado pelo desejo de proteger.  Agora humano, sua única posse para começar a vida na terra é a armadura de anjo. No metrô, Cassiel encontra Emit Flesti (Willem Dafoe), que troca a armadura por 200 marcos e o covence a apostar o dinheiro num jogo com um ambulante. Cassiel perde tudo, Emit o abandona e a polícia chega e prende Cassiel enquanto todos fogem. Dammiel vai até a cadeia para tirar seu amigo, e os dois saem contentes por se reencontrarem depois de 6 anos.

A partir de então, a história evolui de maneira errática em torno da tentativa de Cassiel viver, sem deixar de fora um velho motorista nazista que precisa viver escondido, um investigador privado, tráfico de armas, circo, estranhas aparições de Emit Flesti e mortes.

ATENÇÃO, SPOILERS

Sobre ser bom:

Cassiel experimenta na pele a angústia de não conseguir ser um homem decente. Veio à humanidade com o desejo de ser bom e de ajudar as pessoas, mas percebe que as coisas não são fáceis e delimitadas no preto ou no branco. Acho que um exemplo legal é quando Cassiel pega uma arma que foi guardada escondida na rua por um jovem com intenção de matar o pai (ou padrasto, algo assim) com a melhor das intenções, porém, mais tarde assalta uma mercearia com essa mesma arma para roubar uma garrafa de aguardente.

Bêbado e deprimido, o ex-anjo mendiga numa rua, quando se depara com Lou Reed e este dá um incentivo para Cassiel reavaliar sua situação e tentar sair do buraco. “Por que não posso ser bom?”, se pergunta, como diz na música que Reed toca no filme.

Numa engraçada situação de possível tentativa de suicídio, Cassiel se joga contra o carro do criminoso Tony Baker para depois ser contratado como ajudante dos seus negócios. Chegada a hora de Cassiel conhecer o verdadeiro ganha pão de Tony, ele foge e percebe que podemos cair no inferno sem a intenção de fazer o mal. Ora, ele quase entre nos negócios de tráfico de armas e pirataria de pornografia pela ingenuidade. Há muitas formas de fazer o mal, e uma delas e não o reconhecer e o ignorar.Se fosse anjo, estaria condenado a sentar em cima de um prédio e observar crianças morrerem no meio de guerras civis, mas sendo homem, tem a oportunidade de ser bom em sua possibilidade individual. Cassiel toma consciência do tipo de negócio de seu chefe e resolve dar as costas, não colaborar com a perpetuação do crime.

Sobre o tempo:

Esse é um dos temas mais misteriosos do filme e o que me deixou mais pensativo. No começo do filme, Cassiel ainda anjo, está conversando com Raphaela: “Não podemos interferir no tempo.” E ela responde: “Não contávamos com o tempo, Cassiel. Ele já existia. Não achávamos que ele nos faria observadores. É difícil observar o tempo, que sabe tão pouco sobre si e suas próprias dimensões.” Imagino que o ser excêntrico interpretado por Willem Dafoe, nem bom nem mal, nem humano nem anjo, uma espécie de ex- anjo calejado pelas tentações da terra representa o próprio Tempo. Em uma ocasião ele explica para Cassiel: “Há muito tempo deve ter havido uma era de harmonia entre o céu e a terra. Alto era alto, baixo era baixo. Dentro era dentro e fora era fora. Mas agora temos o dinheiro. Agora tudo está desequilibrado. Eles dizem: tempo é dinheiro. Mas estão enganados. Tempo é a ausência do dinheiro.”

Há também uma misteriosa placa zeit ist kunst (tempo é arte) colada do lado de fora de um museu, onde Cassiel, vendo um quadro de Max Beckmann tem uma espécie de transe doloroso e cai no chão. Em contato com seu lado anjo, ele consegue voltar no tempo e presenciar outros anjos angustiados  e enfraquecidos durante uma exibição nazista denegrindo a arte moderna. Os nazistas chamavam as vanguardas artísticas, como os pintores modernos, surrealistas e dadaístas, de entartete Kunst (arte degenerativa) mostrando ao povo alemão através de exposições realizadas pelo partido que esse tipo de criação era uma manifestação louca, suja e subversiva. Pelo que essa cena mostra, apesar dos anjos não conseguem intervir na materialidade humana, o nazismo possuía uma espécie de energia doentia capaz de invadir a outra dimensão e afetar os anjos

Já no fim do filme, montados na moto de Flesti para salvar a família de Dammiel, Flesti decide compartilhar com Cassiel: “Vou explicar duas coisas. O tempo é curto. Essa é a primeira coisa. Para a fuinha, tempo é traiçoeiro. Para o heroi, tempo é heróico. Para a prostituta, tempo é somente outra peça. Se você for gentil, seu tempo será gentil. Se estiver com pressa, seu tempo voa.  O tempo é seu servo se você for o mestre dele. O tempo é um deus se você for seu cão. Nós somos os criadores do tempo e os assassinos do tempo. Tempo é valioso, essa é a segunda coisa. Você é o relógio, Cassiel.” Ok, parece que significa que o tempo se relaciona com a gente de forma subjetiva, depende das nossas motivações, modo de viver, etc. Também está claro que somos nós que decidimos mecanizar o tempo, organizar nossa sociedade pelo relógio, picar e separar uma determinada quantidade de tempo em 365 pedaços e chamar cada um de “dia”. Nós somos os criadores do tempo como conhecemos. Mas e a parte de Cassiel ser o relógio? Eu entendi que o Dafoe era o relógio. Se alguém tiver uma teoria, me diga.

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