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Posts Tagged ‘Ingmar Bergman’

Ingmar Bergman (1918 – 2007) foi um cineasta sueco que possui uma filmografia contando com aproximadamente 50 títulos (O Sétimo Selo, Gritos e Sussurros, Persona, Sonata de Outono, dentre muitos). Filmes considerados herméticos, obscuros e misterioso, geralmente abordam conflitos psíquicos, angústias e dilemas recorrentes da vida. “Morangos Silvestres” não é diferente. Esse premiado filme aborda uma viagem de um professor idoso que será homenageado em Lund, misturando lembranças com sonhos enquanto o personagem reavalia sua vida e começa a se confrontar com a mortalidade. O grande tema de Morangos Silvestres é esse olhar a própria vida de um modo distanciado que somente a idade pode proporcionar. E as vezes o que vemos é desagradável.

Antes dos créditos e do título, o filme abre com Isak Borg, o professor velho, trabalhando em sua escrivaninha. As linhas bem escritas, característica do roteiro, são narradas pelo velho. A primeira coisa que ele nos diz é que convivemos com as pessoas discutindo e criticando-as, e por isso, ele se afastava da vida social e está sentindo as consequências disso, estando solitário em sua velhice. Durante sua vida, concentrou seu foco na Ciência e em sua profissão, tornando-se um professor renomado. Depois de dizer que irá receber um Título Honorário na Catedral de Lund no dia seguinte, a música do filme toca e entram os créditos. Essa cena serviu como uma introdução muito bem executada por Bergman.

Isak resolve partir mais cedo e ir de carro invés de avião, dando um clima road movie. Além de ser acompanhado pela nora, que está num casamento em crise, Isak dá carona para três jovens e  para um casal briguento, que logo são deixados na estrada. Mas isso depois de parar no caminho para visitar sua antiga casa da infância e encontra o canteiro de morangos silvestres. A partir daí, Isak Borg revive vários momentos da infância com um olhar já gasto, sábio e melancólico. A viagem não é só geográfica, é também espiritual.

Frequentemente acusam Isak de ser uma pessoa egoísta e fria, e dentro do carro em movimento, sua nora confessa que seu marido parece muito com Isak. Esse é um dos assuntos chave no filme: O velho tornou-se uma pessoa fria sem perceber, enquanto sua vida tomava caminhos imprevisíveis; e o mesmo parece acontecer com o casamento de seu filho. É mais uma coisa pra ocupar os pensamentos de Isak.

Certamente que não consigo colocar um resumo digno, bem estruturado e explicado, mas acredito que a sinopse não passa disso.

A cena em que o professor tem um estranho sonho representa os melhores minutos do filme. A direção, os movimentos de câmera, a fotografia e o clima surreal compõem uma daquelas cenas que podem ser vistas a parte do filme, de tão potentes. Vejam a sequência: http://www.youtube.com/watch?v=A3n4TxNeaPg. Falando em fotografia, Gunnar Fischer, da equipe de Bergman e responsável pelas fotos é foda.  Fotografia de mestre.

Tinha muitas expectativas em relação a esse filme e sinto que elas não foram supridas. Achei parado e não muito reflexivo. “O Sétimo Selo” (para mim muito mais filosófico, sombrio e intrigante) me agrada muito mais e aborda a mortalidade e a existência com mais garra, apesar de críticos considerarem Morangos Silvestres igualmente ótimo. Sinceramente, eu não entendi o papel dos três jovens no filme, só servem como gatilho para lembranças de Isak. Por ser um filme com estética de alta qualidade, temas universais e boas atuações e direção, pretendo rever quando for mais velho. Quem sabe tiro algo diferente do filme, descubro camadas ou algum detalhe importante que deixei escapar.

Acredito que Morango Silvestres agrada mais os “iniciados” na obra de Bergman. Recomendado aos interessados por velhice ou por filmes históricos do cinema. Se nunca viu um filme de Bergman, recomendo que comece por outro mais legal e mais “fácil”.

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