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The Prisoner

The prisoner (1967-1968) é uma série britânica inovadora, revolucionária, provocadora, divertida e, em última análise, surrealista. Pelo que observei na internet, a série é frequentemente lembrada pelos diálogos iniciais da abertura de quase todos episódios. Number Six (Patrick McGoohan) questiona um Number Two (atores variados): Where am I?; what do you want?; whose side are you on? E a mais famosa frase da série, quando Number Six grita lutando contra o céu da Vila:  I am not a number! I am a free man! Como dá para perceber, é uma série sobre disputa por informações, sobre descobrir quem é seu inimigo e acima de tudo, a não se conformar.

A série produzida em conjunto por McGoohan e George Markstein conta com somente 17 episódios, um fato bastante positivo para aqueles que não suportam ver séries gigantescas de 19 mil temporadas. A trama centra-se em um ex-agente (o Six) da inteligência britânica que pede demissão e logo após isso é sequestrado em sua casa. O agente acorda em uma pequena comunidade confortável e alegre, mas também sinistra chamada A Vila, governada e vigiada por um grupo de experts ávidos por corromperem todos seus prisioneiros e roubarem seus segredos. A serviço de um Number One invisível, os diversos Number Two utilizam métodos para tentarem descobrir o motivo da demissão de Patrick McGoohan, desde uso de drogas alucinógenas e roubo de identidade até controle dos sonhos e coerção social. Encarnando um verdadeiro rebelde no melhor estilo fighting the system, Number Six desafia as autoridades e tenta fugir diversas vezes. Além de ganhar nossa simpatia com seu humor.

O valor de The prisoner vai além do seu visual dos anos 60, que é bem legal, e da trama aparentemente simples. A série nos faz pensar sobre o papel da educação na sociedade, os meios de comunicação em massa, a conformidade, além de brincar com a questão de quem são os vilões e quem são os heróis. Outro tema recorrente na série que dialoga com a questão da conformidade é a dicotomia entre individualismo e coletivismo. Além da importância desses temas, Patrick McGoohan quis criar um show que questionasse mais do que respondesse, algo que fugisse das mesmas histórias de espionagem. O Number Six não pega nenhuma Bond girl, as respostas não são mastigadas para os telespectadores e vale dizer que ao longo da série a coisa vai ficando mais pesada e surreal. Ao fim da série, com o icônico episódio Fall Out, o alvoroço foi tamanho que McGoohan declarou que a série teve o propósito de ser diferente, de não ser tomada exatamente ao pé da letra e sim de ser uma alegoria de nossa sociedade.

Foi impossível nossa cultura fugir da influência de The Prisoner. Há uma paródia em um episódio dos Simpsons, no qual o Number Six e A Vila aparecem,  além de filmes claramente inspirados pela série, como O Show de Truman (1998). Quem conhece alguns quadrinhos da Vertigo notará a influencia que The Prisoner teve para cabeças como a de Alan Moore e de Grant Morrison. V de Vingança e Os Invisíveis trazem traços notáveis herdadas da série de McGoohan. E não é por menos. Confesso que fiquei confuso com o fim, não sabia se gostei ou não. Depois de um tempo de digestão concluí que a série é realmente muito boa. Uma ótima história sobre vigilancia, controle e liberdade. É uma daquelas coisas culturais que exalam criatividade e também diversão, uma obra que deveria ser assimilada pela nossa geração e pelas que estão por vir.

Confiram abaixo uma timeline mostrando como The Prisoner influenciou nossa cultura e vejam a abertura da série:

para visualizar a imagem maior: https://i0.wp.com/www-images.theonering.org/torwp/wp-content/uploads/2009/11/Prisoner_Timeline.jpg

Para ver a imagem ampliada vão ao link abaixo

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