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Posts Tagged ‘Woody Allen’

Só depois que saí do cinema me dei conta: “Cacete, vi um filme do Woody Allen no cinema. E que filme bom!”

Descobri Allen assistindo Annie Hall (1977, traduzido sem sentido como Noivo neurótico, noiva nervosa), Manhattan (1979) e A última noite de Boris Grushenko (1975). Depois desses, assisti Dirigindo no escuro (2002), Zelig (1983) e Melinda e Melinda (2004). Apesar de ter gostado de Dirigindo no escuro, esses filmes mais recentes  não se mostraram bons como o Woody Allen dos anos 70. Por isso, quando soube de Meia noite em Paris (2011), apesar da sinopse interessante, já o incluí no “filmes não tão bons do Woody Allen”.

Eu estava muito errado.

Meia noite em Paris conta a história de Gil Pender (Owen Wilson) e sua noiva chata Inez (Rachel McAdams) passando um tempo em Paris junto com os pais dela. Gil está frustrado com sua carreira de roteirista hollywoodiano e quer se tornar um romancista como seus ídolos. Durante o dia, Gil passa seu tempo com a esposa visitando lugares, indo a exposições de arte e ficando com o sogro e a sogra. Depois de uma degustação de vinho, Gil não quer ir dançar com a noiva e o colega pedante, então resolve voltar ao hotel à pé. Meio bêbado, não encontra o hotel e fica sentado na escada de uma igrejinha. O sino marcando meia noite toca e um taxi pára na frente de Gil, e o pessoal dentro do táxi chama-o para festejar.

Gil não sabe que esse táxi permite a realização de seu sonho: reviver a Paris de 1920, convivendo com seus ídolos literários e vivendo o que ele considera ser a época de ouro. Depois de algum tempo, Inez começa a achar que Gil está vendo outra pessoa durante as madrugadas.

Durante noites de festas, Gil se encontra com Ernest Hemingway, Gertrud Stein, Scott Fritzgerald, Picasso, Salvador Dalí e outros artistas que passaram os anos 20 em Paris. É preciso uma certa bagagem cultural para entender as piadas e referências feitas durante o filme. Eu perdi várias, não conhecendo alguns pintores mencionados e uma escritora que esqueci o nome agora, mas as partes de Hemingway (valentão caricato e simpático) e dos surrealistas foram de grande entretenimento para mim.

Achei interessante o contraste entre Gil e o pedante chato. Enquanto o pedante contempla a arte, soltando conhecimento com ar de autoridade no assunto, Gil experiencia a arte em primeira mão, conversando e festejando com os autores. É como se a arte fosse muito mais que a masturbação mental dos acadêmicos. Ela precisa ser experienciada.

Owen Wilson surpreende por conseguir atuar tão harmoniosamente e encarnar o alter-ego de Allen, típico personagem também de Annie Hall e Manhattan, simpatizante da esquerda, rabugento, romântico, nostálgico e confuso. A maneira como Owen Wilson fala me fez lembrar muito a atuação de Allen. Consegui ver como se fosse o Woody Allen entediado enquanto o colega pedante do casal expõe seu conhecimento sobre artes, ou quando ele segura e beija a noiva logo depois de acordar.

Meia noite em Paris é um filme bonito, suave e engraçado. Romance sem ser meloso e comédia inteligente na medida certa, mescla o romance dos noivos com os encontros noturnos de Gil. Detalhe para a abertura do filme, onde é mostrada várias cenas de Paris, iniciando o  longa de maneira marcante. O argumento principal do filme é destinado aos nostálgicos, aqueles que sentem saudade de um tempo que não viveram, aqueles que pensam que viver no passado traria mais felicidade. A atmosfera boêmia com seus cigarros e bebidas, dos cafés e de um mundo onde figuras como Hemingway e Picasso ainda caminham sobre a Terra funciona perfeitamente no filme. É por isso que gostei tanto. Um dia dou um jeito, pulo num navio e chego lá ilegalmente. Que seja.

Assista o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=kdgdX2Sra5Y

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